O Governo do Gana decidiu boicotar a próxima Cimeira Africana de Energias, marcada para maio, em Londres, numa decisão que está a agitar o sector energético no continente e a levantar acusações de discriminação contra organizadores internacionais.
A decisão foi impulsionada por críticas da Energy Chamber Ghana, que denunciou práticas consideradas excludentes, incluindo a marginalização de profissionais africanos em eventos que discutem o futuro energético de África.
Em comunicado, a organização apelou às autoridades, empresas e especialistas ganeses para não participarem no encontro enquanto não houver garantias claras de inclusão. “África não pode ser convidada apenas para assistir a discussões sobre si própria”, defende a instituição.
O boicote do Gana não é um caso isolado. Moçambique já havia tomado posição semelhante em março deste ano, assim como ministros do petróleo ligados à Organização Africana de Produtores de Petróleo, sinalizando um crescente descontentamento no sector.
Para os críticos, a questão vai além de um simples evento. Trata-se de exigir respeito, igualdade e protagonismo africano nas decisões sobre os próprios recursos do continente.
A decisão surge numa fase em que o Gana procura reforçar o controlo e o valor dos seus recursos energéticos, com investimentos avaliados em cerca de 3,5 mil milhões de dólares para estabilizar a produção petrolífera e expandir o sector do gás.
Apesar deste crescimento, especialistas alertam que práticas de exclusão em fóruns internacionais podem comprometer parcerias e travar o desenvolvimento do sector.
O posicionamento do Gana reflete uma tendência mais ampla: países africanos exigem não apenas explorar os seus recursos, mas também liderar as decisões, os debates e as plataformas que definem o futuro energético do continente. Redacção

