O Conselho Municipal de Nacala denunciou uma tentativa de invasão e bloqueio das suas instalações, ocorrida na noite de 1 de Março, envolvendo cerca de 20 indivíduos, alguns dos quais identificados posteriormente como funcionários da própria autarquia.
Segundo informações oficiais, o grupo, munido de objectos contundentes, dirigiu-se por volta das 23 horas às oficinas municipais, onde terá ameaçado trabalhadores em serviço e tentado arrombar o portão principal. Não conseguindo aceder às instalações, deslocou-se para os edifícios dos Recursos Humanos, Gabinete Jurídico e Secretaria Geral, onde igualmente tentou forçar a entrada.
Sem sucesso nas tentativas de arrombamento, os indivíduos optaram por encerrar portas com correntes e cadeados e erguer barricadas nas entradas, numa acção que o Município classifica como “bloqueio institucional deliberado”, susceptível de comprometer o funcionamento normal dos serviços públicos.
Face à situação, a Polícia Municipal interveio, tendo solicitado reforço da Polícia da República de Moçambique (PRM) devido à dimensão e agressividade do grupo. Parte dos envolvidos foi detida e encontra-se sob custódia para os trâmites legais.
De acordo com o Município, numa fase inicial não era conhecida a identidade dos participantes. Posteriormente, foi apurado que entre os detidos figuram funcionários cujos nomes constavam de uma carta submetida à edilidade, comunicando a intenção de observância de seis dias após a entrega do documento.
O Conselho Municipal sublinha que o direito à greve é legalmente consagrado, mas defende que o seu exercício deve respeitar os procedimentos previstos na lei e não pode envolver actos de intimidação, violência ou vandalização de património público. A autarquia sustenta que recebeu a carta de intenção de greve a 19 de Fevereiro e que, em resposta, promoveu encontros com os signatários nos dias 23 e 26 do mesmo mês, com vista ao esclarecimento das reivindicações e manutenção do diálogo institucional.
Dos incidentes resultaram danos humanos e materiais. O director da Polícia Municipal sofreu ferimentos durante a intervenção, e foram reportadas a perda de um telefone celular pertencente a um vigilante e de um colar.
Apesar da gravidade dos acontecimentos, o Município afirma manter abertura ao diálogo e anunciou a constituição de um grupo de trabalho para apurar as motivações do sucedido, em articulação com os funcionários envolvidos e as autoridades competentes. A autarquia reiterou o compromisso de garantir a legalidade, a estabilidade institucional e a continuidade dos serviços públicos, defendendo que divergências laborais devem ser resolvidas através de mecanismos formais e não por meio de confrontação nocturna. Redacção

