Sociedade
Nampula envia dois jovens atletas aos jogos internacionais da CPLP e AUSC na Namíbia
O Governador da Província de Nampula, Eduardo Mariano Abdula, recebeu na manhã desta segunda-feira, 07 de Julho, os dois jovens atletas ambliopes que irão representar Moçambique, em nome da província, nos Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Zona VI da AUSC (African Union Sports Council), a decorrer de 14 a 28 de Julho, na Namíbia. A cerimónia de despedida decorreu num ambiente em que familiares, técnicos, dirigentes desportivos e membros da sociedade civil testemunharam o momento.
Os atletas Neusa Nito Sabão, de 18 anos, residente no distrito de Nampula, e Cleiton de Albertino, de 16 anos, oriundo do distrito de Eráti, integram a delegação moçambicana que representará o país nas competições regionais e lusófonas, após se destacarem nas provas nacionais do 15º Festival dos Jogos Desportivos Escolares.
Durante o seu discurso, o governador Eduardo Abdula destacou o orgulho que a província sente por ver os seus filhos a representarem Moçambique e Nampula num palco internacional. “Primeiro, desejar boa viagem a eles. Naturalmente desejar também que tenhamos resultados satisfatórios onde vamos jogar. Mas mais do que os resultados, o mais importante é que Nampula estará lá representada com outros atletas de Moçambique”, frisou.
Para além dos votos de sucesso, o dirigente provincial aproveitou o momento para reforçar a importância do desporto como ferramenta de união entre os povos, mesmo além das linhas da competição. “Desejar a todos os atletas do mundo que este seja um encontro de união, um encontro de paz e irmandade no mundo inteiro. Que Moçambique faça flutuar a sua bandeira em Timor Leste e, em especial, que Nampula esteja sempre presente e nos traga satisfação”, declarou.
Eduardo Abdula aproveitou também para lançar um compromisso institucional em prol do desenvolvimento desportivo da província: “Isso é um pontapé de saída e cada vez mais fica a mensagem da responsabilidade que nós, como governo, como pais, como província, temos de fazer investimentos nas infraestruturas desportivas para a verdadeira massificação.”
Segundo ele, o desporto inclusivo só terá sustentabilidade quando houver investimento estruturado e contínuo: “A massificação não é só jogar, fazer desporto. É investir nas infraestruturas.”
O brilho de quem venceu as barreiras da exclusão
Entre os rostos emocionados que participaram na cerimónia, estava o jovem Cleiton de Albertino, estudante da 10ª classe, que, apesar das limitações financeiras e desafios impostos pela deficiência, conseguiu ultrapassar todas as etapas qualificatórias. Com um sorriso tímido, mas confiante, partilhou com os presentes.
“Estou preparado para participar nos jogos, com toda vontade. Desde a fase provincial, joguei bem, sem dificuldades. Tinha esperança, mas não tinha condições para chegar lá. O meu sonho é ser atleta e técnico agrónomo.”
Cleiton, que se destaca nas provas de atletismo nos 100, 200 e 1.500 metros, tem mostrado uma resiliência ímpar, que agora será posta à prova no cenário internacional. A sua colega, Neusa Nito Sabão, de 18 anos, foi breve, mas assertiva: “Vamos ganhar.” Palavras que traduzem coragem, determinação e fé num futuro promissor para o desporto inclusivo.
Apoio técnico e segurança garantidos
De acordo com Ndala Assuete, chefe do Departamento Provincial da Juventude, Emprego e Desportos, os dois atletas foram selecionados com base no mérito e acompanhamento técnico. “São meninos oriundos das escolas secundárias de Alua e da CEREI, o Centro de Educação Inclusiva de Anchilo. Foram pré-selecionados durante o 15º Festival Nacional dos Jogos Escolares, evento em que Nampula foi anfitriã.”
A escolha dos dois jovens para integrar a delegação nacional deveu-se às marcas positivas que registaram durante a fase nacional do torneio. “A Federação Moçambicana de Desporto para Pessoas com Deficiência validou as suas prestações e indicou-os como representantes da província. A partir daí, começaram a ser acompanhados tecnicamente para garantir que chegassem ao evento em boa forma”, afirmou Assuete.
Por Lourenço Soares