Casos de tumores duplicam no Hospital Central de Nampula em apenas seis meses

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Médicos apontam consumo de álcool, alimentação inadequada, factores hereditários e diagnóstico tardio como principais causas do aumento dos casos.

O Hospital Central de Nampula (HCN) registou um aumento expressivo de pacientes submetidos a cirurgias devido a tumores, com os casos a mais do que duplicarem nos primeiros seis meses de 2026, quando comparados com todo o ano anterior. Médicos da unidade sanitária alertam que o consumo excessivo de álcool, hábitos alimentares inadequados, factores hereditários e o diagnóstico tardio estão entre as principais causas da doença.

Dados apresentados esta terça-feira pelo HCN indicam que, em 2025, a cirurgia geral realizou 207 intervenções electivas, das quais 35 foram para remoção de tumores, representando cerca de 16% do total.

Entretanto, entre Janeiro e Junho deste ano, a unidade hospitalar efectuou 211 cirurgias electivas, sendo 75 relacionadas com tumores, o equivalente a aproximadamente 35% de todas as intervenções da especialidade.

Em conferência de imprensa, o cirurgião Vanilton Nacuna explicou que o aumento de casos não significa que todos os tumores sejam hereditários, uma vez que as causas variam conforme o tipo da doença.

“Existem tumores que têm factores hereditários relacionados, mas nem todos os tumores são hereditários”, esclareceu.

Segundo o especialista, alguns tipos de cancro, como o da mama e determinados tumores do intestino grosso, apresentam maior incidência em pessoas com histórico familiar. Contudo, existem outros factores que desempenham um papel determinante.

“No caso do fígado, por exemplo, o consumo excessivo de álcool, alguns hábitos alimentares e a exposição a substâncias tóxicas podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença. Os factores de risco não são lineares, dependem do tipo de tumor que estamos a falar”, explicou.

O médico revelou que apenas na última semana foram realizadas 13 cirurgias electivas na área de cirurgia geral, das quais seis estavam relacionadas com tumores.

Entre os casos de maior complexidade esteve uma paciente de 68 anos, proveniente do distrito de Eráti, submetida à remoção de um tumor com mais de 20 quilogramas.

A mulher convivia com a doença há mais de um ano e procurou assistência médica numa fase avançada, devido às dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Segundo Vanilton Nacuna, uma avaliação conjunta entre as equipas de cirurgia e ginecologia concluiu que a massa tumoral era, com maior probabilidade, de origem cirúrgica. A operação foi considerada altamente complexa, uma vez que o tumor encontrava-se aderido ao estômago e ao intestino grosso, obrigando à remoção parcial destes órgãos.

Apesar da complexidade, a intervenção decorreu com sucesso e a paciente encontra-se em recuperação, aguardando os resultados da anatomia patológica que irão determinar a necessidade de tratamentos complementares, incluindo quimioterapia.

O cirurgião considera que o aumento dos casos registados no HCN resulta, em parte, de uma maior procura pelos serviços de saúde e de uma crescente consciencialização da população sobre as doenças tumorais. Segundo explicou, a maioria dos pacientes provém dos distritos da zona costeira da província de Nampula.

“Talvez antigamente os casos existissem, mas acabavam apenas na comunidade, por questões supersticiosas ou devido às dificuldades de acesso aos serviços de saúde”, concluiu. Agostinho Miguel

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