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Sociedade

UniZambeze sob fogo após impedir discurso de Albano Carige na cerimónia de graduação

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A nova liderança da Universidade Zambeze (UniZambeze), composta pelo Reitor Luís Miguel Estêvão Cristóvão e o Vice-Reitor Alexandre Hilário Monteiro Baia, enfrenta uma onda de críticas públicas após ter recusado espaço para a intervenção do Presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, durante a XI cerimónia de graduação, realizada na última sexta-feira.

A decisão inédita provocou indignação generalizada entre estudantes, munícipes e internautas, incluindo na página oficial da instituição no Facebook, onde vários cidadãos exigiram explicações da reitoria. A recusa marca um ponto de tensão no relacionamento entre a academia e o poder autárquico local, quebrando uma prática habitual de intervenção do edil beirense em eventos universitários.

Críticas multiplicam-se nas redes sociais

Comentários publicados na plataforma digital da universidade classificam o episódio como “cerimónia partidarizada”, “falta de ética” e um acto que contradiz o espírito de diálogo e inclusão. Muitos internautas recordam que, em graduações anteriores, Carige sempre teve espaço para saudar os finalistas, e consideram que a nova reitoria rompeu com uma tradição que valorizava a aproximação entre a instituição e a comunidade.

Alguns comentários lamentam a suposta motivação política e questionam a razão para excluir o edil. “Onde já se viu o Presidente do Município não ter palavra numa graduação?”, lê-se num dos depoimentos.

Município da Beira lamenta o sucedido

O Conselho Municipal da Beira também reagiu em nota pública, classificando o gesto da UniZambeze como inexplicável e sem precedentes. O município sublinhou que Albano Carige, em intervenções anteriores noutras instituições de ensino, tem distinguido os melhores estudantes com ofertas de emprego, estágios remuneráveis e apoios financeiros, práticas que não puderam ser repetidas nesta cerimónia devido à ausência forçada do seu discurso.

A edilidade considera que a decisão manchou a imagem da universidade e deixou os finalistas sem oportunidades tradicionais de apoio. Alguns munícipes apelaram ao autarca para continuar a apoiar os estudantes, independentemente do episódio, salientando que “os estudantes não têm culpa”.

Suposta disputa de protagonismo

Fontes locais e comentários de internautas sugerem que a recusa de intervenção ao edil poderá estar associada à presença do Governador de Sofala, Lourenço Bulha, que terá oferecido cheques aos três melhores estudantes durante a cerimónia. A iniciativa gerou percepções de disputa de protagonismo, numa cidade onde Albano Carige é reconhecido por premiar finalistas e incentivar jovens talentos.

Para muitos beirenses, o gesto da universidade representou não só um corte protocolar sem precedentes, mas também uma tentativa de impedir que Carige desempenhasse um dos papéis mais simbólicos da sua relação com a juventude estudantil.

Até ao momento, a reitoria não prestou esclarecimentos públicos sobre a decisão, o que tem alimentado críticas e especulações. Para sectores da sociedade civil, a atitude contraria o papel que uma instituição de ensino superior deve desempenhar na promoção de uma convivência pacífica, inclusiva e livre de interferências político-partidárias.

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