PRM detém 50 consumidores de drogas em Nampula, mas chefes do tráfico continuam intocáveis

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A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, apresentou no último sábado (28) um total de 50 indivíduos detidos por consumo de drogas, numa operação descrita como de grande envergadura. No entanto, a acção volta a expor fragilidades no combate ao narcotráfico, alimentandas críticas sobre a incapacidade das autoridades em atingir os verdadeiros mandantes do negócio.

Apesar do número elevado de detenções, cresce a percepção de que as operações policiais continuam focadas nos consumidores — maioritariamente jovens — enquanto os financiadores e principais distribuidores permanecem fora do alcance da justiça.

Dados apurados pelo NGANI indicam que a PRM tem realizado, semanalmente, detenções que variam entre 20 a 30 indivíduos, na sua maioria com idades entre os 17 e os 27 anos. O padrão revela uma juventude cada vez mais exposta ao consumo de substâncias como a metanfetamina, conhecida localmente por “makha”.

A apresentação dos detidos coincidiu com uma reunião entre a polícia e a comunidade no bairro de Muahivire, na cidade de Nampula, orientada pelo vice-comandante-geral da PRM, Aquilasse Manda, no âmbito da avaliação da situação de segurança na província.

Na ocasião, Manda apontou os jovens como um dos principais grupos envolvidos em práticas que contribuem para a desordem pública. “Queremos jovens íntegros e trabalhadores. Não podemos aceitar que estejam envolvidos no consumo de drogas e em actos que perturbam a ordem pública”, afirmou.

O dirigente assegurou que a corporação tem seguido as orientações superiores no combate à criminalidade, destacando os esforços em curso. “Tomámos conhecimento de que as instruções estão a ser seguidas consciencialmente. Ficamos satisfeitos com o trabalho realizado”, declarou.

Ainda assim, reconheceu que Nampula enfrenta desafios específicos, devido à sua dimensão territorial e elevada densidade populacional. “É uma província extremamente vasta e populosa, o que traz desafios de segurança. Devemos estar cada vez mais atentos para prevenir o cometimento de crimes”, disse.

Apesar do discurso de satisfação, Manda admitiu limitações na capacidade preventiva das forças policiais. “A polícia está a trabalhar e a fazer o máximo, mas precisa de fazer mais, porque a nossa principal missão é prevenir o crime”, sublinhou.

Segundo explicou, quando os crimes ocorrem, cabe à polícia agir com firmeza. “Temos a missão de perseguir os prevaricadores, prendê-los e encaminhá-los à justiça para responsabilização”, afirmou, acrescentando que uma parte significativa dos casos tem sido esclarecida, ainda que o ideal fosse a sua inexistência.

O vice-comandante-geral apelou igualmente ao envolvimento da população no combate à criminalidade, incentivando a denúncia de práticas ilícitas — inclusive dentro da própria polícia. “Se há alguém que consome drogas ou pratica crimes, deve ser denunciado. E se for um agente da polícia com conduta desviada, também deve ser reportado”, frisou.

Manda alertou ainda contra a prática de justiça pelas próprias mãos, defendendo que todos os casos devem seguir os trâmites legais. “O prevaricador deve ser entregue à polícia para que seja processado dentro da lei”, disse.

O responsável reconheceu também a existência de focos recorrentes de desordem em alguns distritos da província, garantindo o reforço das operações. “Há grupos que criam instabilidade nas comunidades. Vamos identificá-los, isolá-los e responsabilizá-los”, assegurou.

No entanto, apesar das garantias e do discurso institucional, persistem críticas à estratégia adoptada. Para vários sectores da sociedade, o combate ao narcotráfico em Nampula continua desequilibrado, centrado na repressão do consumo e incapaz de atingir as redes que sustentam o negócio.

Enquanto jovens são detidos em números crescentes, os rostos por detrás do tráfico permanecem, até aqui, invisíveis — e intocáveis. Agostinho Miguel

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