O Presidente da República, Daniel Chapo, reconheceu publicamente falhas no processo de entrega de tractores, afirmando que os meios foram distribuídos de forma inadequada ao serem canalizados para a cidade de Maputo, em vez de zonas rurais como Mavago, na província do Niassa.
A declaração surge em resposta às críticas levantadas em torno da utilização de tractores como alternativa de transporte público em áreas rurais, uma medida que tem gerado controvérsia em diversos sectores da sociedade.
Chapo falava durante a cerimónia de entrega do primeiro lote de 100 autocarros destinados a 15 municípios das regiões norte e centro do país.
“Sobre os tractores, acho que tivemos falhas na entrega lá na capital. Deveríamos ter feito em Mavago, porque lá as pessoas sentem na pele a falta de transporte”, afirmou.
O Chefe de Estado sublinhou as disparidades entre as zonas urbanas e rurais, destacando que muitas comunidades do interior enfrentam sérias dificuldades de mobilidade.
“Os habitantes de Maputo já estão habituados a ficar no gabinete, mas nós esquecemos que temos pessoas lá em Mavago que precisam de transporte”, acrescentou.
Na ocasião, o Presidente alertou para atitudes que, segundo disse, contribuem para a divisão entre moçambicanos, defendendo maior solidariedade e inclusão.
100 autocarros para impulsionar mobilidade
Relativamente à entrega dos autocarros, Daniel Chapo explicou que os meios visam melhorar o transporte de pessoas e bens em municípios considerados estratégicos para o desenvolvimento do país.
Os autocarros serão distribuídos por cidades como Nampula, Nacala-Porto, Pemba, Lichinga, Mocuba, Quelimane, Beira, Dondo, Nhamatanda, Chimoio, Tete e Moatize.
“Se estamos a entregar esses autocarros nestes municípios, queremos desenvolver o nosso país. O Governo vai continuar a trabalhar para melhorar os serviços à população”, garantiu.
Apelo à responsabilidade nas estradas
O Presidente deixou ainda um aviso aos motoristas, apelando ao cumprimento rigoroso das regras de trânsito.
“Não queremos motoristas que querem correr para o cemitério. Queremos motoristas responsáveis, capazes de proteger a vida dos moçambicanos”, advertiu.
Chapo defendeu igualmente que os novos autocarros devem servir todos os cidadãos, sem discriminação política.
“Esses autocarros não são de partidos, são dos moçambicanos. Não queremos ouvir exclusão de membros de partidos como PODEMOS, MDM ou Renamo”, afirmou.
O Chefe de Estado anunciou ainda que, no próximo mês de maio, o Governo prevê entregar mais 190 autocarros às províncias de Gaza, Inhambane e Maputo, reforçando o compromisso com a melhoria da mobilidade no país. Agostinho Miguel

