O hantavírus voltou a despertar preocupação internacional depois de um surto registado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, actualmente monitorado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ter provocado pelo menos três mortes e vários casos suspeitos nas últimas semanas.
A doença, pouco conhecida por grande parte da população, é considerada rara, mas pode ser altamente perigosa devido à elevada taxa de mortalidade em alguns casos e à rapidez com que evolui para quadros respiratórios graves.
Segundo a OMS e especialistas em saúde pública, o hantavírus é transmitido principalmente através do contacto com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A transmissão ocorre, sobretudo, quando partículas contaminadas são inaladas em ambientes fechados, mal ventilados ou infestados por ratos.
O actual surto internacional colocou o vírus novamente no centro das atenções depois de passageiros de diferentes nacionalidades apresentarem sintomas graves durante uma viagem marítima iniciada na Argentina. Até ao momento, há casos confirmados e suspeitos acompanhados em Cabo Verde, Espanha, África do Sul, Suíça e outros países envolvidos na rota do navio.
O que é o hantavírus?
O hantavírus pertence a um grupo de vírus transmitidos por roedores e pode causar duas formas graves da doença: a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS), mais comum nas Américas, e a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal, predominante na Europa e Ásia.
Na forma pulmonar, considerada a mais perigosa, o vírus afecta os pulmões e pode provocar insuficiência respiratória severa. A taxa de mortalidade pode atingir cerca de 40% dos casos sintomáticos.
Sintomas que exigem atenção
Os sintomas iniciais confundem-se facilmente com gripe ou outras infecções virais. Entre os sinais mais frequentes estão:
- Febre alta;
- Dores musculares;
- Dor de cabeça;
- Náuseas e vómitos;
- Dor abdominal;
- Cansaço extremo.
Nos casos mais graves, surgem dificuldades respiratórias, falta de ar e acumulação de líquidos nos pulmões, situação que exige internamento urgente.
Especialistas alertam que o diagnóstico precoce é difícil, razão pela qual muitos pacientes procuram ajuda médica apenas quando a doença já está avançada.
Como ocorre a transmissão?
A transmissão para humanos acontece principalmente através da inalação de partículas contaminadas provenientes de excrementos de ratos infectados. O risco aumenta em situações como:
- Limpeza de armazéns fechados;
- Contacto com casas abandonadas;
- Ambientes agrícolas;
- Locais infestados por roedores;
- Acampamentos ou zonas florestais.
Em casos extremamente raros, algumas variantes — como o vírus Andes identificado na América do Sul — podem ser transmitidas entre pessoas após contacto muito próximo e prolongado.

Não existe vacina nem tratamento específico
Actualmente, não existe vacina nem antiviral específico contra o hantavírus. O tratamento baseia-se em cuidados intensivos, suporte respiratório e controlo das complicações.
Por isso, a prevenção continua a ser a principal arma contra a doença.
Como prevenir?
As autoridades sanitárias internacionais recomendam:
- Evitar contacto com ratos e seus excrementos;
- Manter casas e armazéns limpos;
- Tapar buracos e entradas por onde roedores possam passar;
- Guardar alimentos em recipientes fechados;
- Não varrer fezes secas de ratos;
- Humedecer e desinfectar superfícies antes da limpeza;
- Usar máscara e luvas em locais suspeitos.
O CDC, principal agência de saúde pública dos Estados Unidos, recomenda ainda reforçar o controlo de roedores em residências, locais de trabalho e zonas agrícolas.
Situação actual no mundo
A OMS acompanha actualmente o surto associado ao navio MV Hondius, considerado um dos episódios mais mediáticos envolvendo hantavírus nos últimos anos. Até agora, foram registadas pelo menos três mortes e vários casos suspeitos relacionados com passageiros do cruzeiro.
Na Argentina, autoridades sanitárias também reportaram aumento de casos em 2026, especialmente em regiões rurais do sul do país, onde circula a variante Andes do vírus.
Apesar da preocupação internacional, especialistas sublinham que o hantavírus não possui o mesmo potencial de propagação de doenças como Covid-19 ou gripe, sendo considerado um vírus de transmissão limitada e associado principalmente ao contacto com roedores infectados. Redacção
