O negócio das plataformas digitais de microcrédito em Moçambique ganha novos contornos na sequência de um testemunho divulgado pela EcoTV, no qual um antigo funcionário de uma destas empresas denuncia alegados mecanismos de pressão sobre trabalhadores e clientes durante os processos de cobrança.
Segundo a EcoTV, o ex-funcionário afirmou que algumas plataformas de microcrédito, entre as quais MzCash e FlexiMola, estariam ligadas a cidadãos de nacionalidade chinesa. A alegação sobre a propriedade das plataformas não foi, contudo, confirmada de forma independente.
O antigo funcionário descreveu igualmente um sistema de avaliação dos trabalhadores responsáveis pela cobrança, que, segundo o seu relato, seria realizado de três em três dias e teria como principal indicador a recuperação dos valores concedidos aos clientes. “Se tu não consegues pressionar a pessoa a pagar, em três dias estás fora”, afirmou.
O antigo trabalhador explicou que uma avaliação considerada baixa poderia resultar numa advertência e, caso o desempenho permanecesse abaixo das metas nos dias seguintes, seriam emitidas novas advertências, podendo o trabalhador ser afastado após a terceira avaliação negativa.
“Eles fazem de três em três dias. Tu tens uma avaliação baixa durante nove dias. Tens a primeira avaliação baixa nos primeiros três dias, nos seis dias tens a segunda carta, a terceira carta tu estás fora da empresa”, relatou.
De acordo com o testemunho divulgado pela estação, o modelo de avaliação teria provocado pressão psicológica entre os trabalhadores, sobretudo devido à exigência de recuperar os valores dentro de períodos reduzidos.
O ex-funcionário afirmou ainda, que mais de 200 trabalhadores estariam envolvidos neste tipo de actividade apenas na cidade de Maputo. O número não foi confirmado de forma independente.
Além das alegadas práticas de cobrança e pressão sobre os trabalhadores, o antigo funcionário denunciou também possíveis irregularidades relacionadas com as contribuições para o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).
As alegações foram divulgadas pela EcoTV com base no testemunho do antigo funcionário e carecem de confirmação independente. As empresas e entidades mencionadas devem ser ouvidas para esclarecer as acusações relacionadas com a propriedade das plataformas, as condições laborais, os mecanismos de cobrança e as contribuições para a segurança social. Redacção

