A dívida da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) voltou a aumentar nos últimos três meses e já supera os 5 mil milhões de meticais, segundo dados do Ministério das Finanças.
Até Setembro, a dívida interna da companhia aérea estatal atingiu cerca de 5.921 milhões de meticais, um crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior. As autoridades explicam que este aumento resulta, sobretudo, de atrasos no pagamento das prestações junto de bancos e fornecedores.
Para lidar com a situação, o Governo autorizou a LAM a pagar a dívida de forma faseada, em prestações anuais. Estes pagamentos terão garantia do Estado junto dos bancos comerciais, no âmbito do processo de reestruturação da empresa.
A mesma decisão permitiu ao Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) criar uma entidade específica para gerir e liquidar a dívida acumulada. Foi igualmente aprovado um modelo de financiamento envolvendo empresas públicas como a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Empresa Moçambicana de Seguros (Emose), que passaram a integrar a estrutura acionista da transportadora.
A LAM deixou de realizar voos internacionais há cerca de um ano e concentra-se actualmente apenas nas ligações domésticas. A empresa registou também mudanças na direcção e iniciou um processo de reforço da frota, incluindo o aluguer de novas aeronaves, como um Airbus A319, com capacidade para 148 passageiros, que chegou recentemente ao país.
Apesar destas medidas, a situação financeira da companhia continua frágil. Em 2023, a LAM registou prejuízos de quase 4 mil milhões de meticais, obrigando o Estado a injectar mais de mil milhões de meticais para evitar a paralisação das actividades. No ano anterior, os prejuízos tinham sido muito menores.
Relatórios oficiais indicam ainda que a empresa tem mais dívidas do que bens disponíveis para pagar no curto prazo, o que coloca em risco a sua continuidade. Perante este cenário, a administração da LAM reconhece as dificuldades e afirma estar a implementar medidas urgentes e estratégias de médio prazo para garantir a sobrevivência da companhia aérea nacional.

