A recente saída de jogadores formados no Clube Ferroviário da Beira continua a gerar reacções no seio da massa associativa e entre antigos dirigentes do clube. Um dos pronunciamentos mais críticos veio de António Marques, ex-chefe do Departamento de Futebol dos “locomotivas”, que manifestou publicamente preocupação com o rumo do projecto desportivo.
Através de comentários publicados na página oficial do clube na rede social Facebook, a propósito da anunciada saída do jogador Ling, António Marques questionou a veracidade das informações divulgadas e alertou para o que considera ser uma tendência preocupante de perda contínua de atletas formados internamente.
O antigo dirigente recorda que jogadores como João Bonde, Foia e Ling passaram por todo o processo de formação no Ferroviário da Beira, desde os escalões de base até à equipa principal, sublinhando que a sua saída representa um prejuízo desportivo e institucional para o clube.
“Se for verdade que todo mundo está a sair, é preciso travar este cenário”, escreveu, manifestando inquietação quanto à gestão do capital humano formado ao longo de vários anos.
António Marques defende que, sendo um dos clubes mais estruturados do país, o Ferroviário da Beira não pode continuar a investir na formação de atletas sem retorno desportivo ou financeiro. Para o antigo responsável pelo futebol, a protecção do projecto de formação deve ser uma prioridade estratégica da direcção.
O ex-dirigente considera ainda inaceitável que atletas que percorrem todos os escalões acabem por deixar o clube sem explicações claras, advertindo que a instituição deve afirmar-se perante qualquer equipa técnica ou agente que, na sua óptica, coloque em risco o projecto de formação que historicamente distingue o Ferroviário da Beira no futebol moçambicano.

