Roberto Tibana questiona credibilidade do diálogo político inclusivo

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NGANI, 11 de Setembro de 2025 – O economista moçambicano Roberto Tibana, formado em Oxford, publicou recentemente uma análise crítica em que coloca em causa a seriedade e a utilidade do chamado “diálogo político inclusivo” promovido pelo Governo.

No artigo, Tibana recorda que o presidente do partido ANALOMA, Venâncio Mondlane, reiterou em Agosto a sua intenção de participar no processo e que prometeu dirigir uma carta ao Presidente da República, Daniel Chapo, para formalizar o pedido. Até ao momento, porém, não se conhece qualquer resposta pública. Para Tibana, este silêncio constitui um sinal de falta de abertura por parte do Chefe de Estado.

O economista refere ainda a posse de Mondlane, no dia 1 de Setembro, como membro do Conselho de Estado, destacando que, apesar das denúncias de fraude eleitoral e da repressão pós-eleitoral de 2024, a decisão do líder oposicionista deve ser lida como um gesto de magnanimidade política. Contudo, alerta que os convites protocolares que Mondlane passará a receber nesta condição “não têm ligação com a questão central da inclusão política”.

Tibana considera que a eventual participação do ANALOMA no processo será um teste de honestidade para Daniel Chapo e para a Frelimo. Segundo escreve, apenas uma emenda ou revogação da lei que regula o actual modelo poderá conferir credibilidade ao diálogo. “Sem mudanças legais, tudo não passará de mais uma tentativa de enganar a sociedade”, sustenta.

Na sua análise, Tibana aponta três obstáculos principais: o próprio Presidente, que não demonstra interesse em dialogar com Mondlane; a Frelimo, que nunca concebeu a alternância de poder; e os partidos actualmente envolvidos no processo, receosos de perder espaço político com a entrada do ANALOMA.

O economista conclui que, ao ser legalizado por via de lei, o processo ficou “trancado” e perdeu flexibilidade, servindo apenas para reforçar o controlo da Frelimo. Até que haja uma proposta formal de alteração na Assembleia da República, afirma Tibana, o diálogo continuará a ser visto como estéril e desacreditado.

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