Após um prolongado silêncio, o Governo da província de Nampula reconheceu a crescente proliferação do consumo e tráfico de drogas e anunciou um plano de resposta a ser implementado nos próximos 90 dias. A posição surge na sequência de manifestações públicas promovidas por organizações da sociedade civil, que saíram às ruas para exigir medidas urgentes.
Nos últimos meses, grupos cívicos têm organizado marchas pacíficas na cidade de Nampula, denunciando o aumento do consumo de substâncias ilícitas, sobretudo entre jovens com idades compreendidas entre os 17 e os 25 anos.
Dados das autoridades policiais indicam que, semanalmente, entre 30 e 40 pessoas são detidas por suspeitas de consumo e tráfico de drogas, com destaque para as metanfetaminas. O aumento dos casos intensificou a pressão sobre o Governo provincial, acusado de inércia face ao problema.
Perante este cenário, o governador da província, Eduardo Mariamo Abdula, assumiu publicamente a gravidade da situação e anunciou o lançamento de um plano estratégico denominado “Plano de 90 Dias”, orientado para a prevenção e combate ao consumo de entorpecentes.
“A questão das drogas que abordarei não visa apresentar soluções mirabolantes. Não as temos. Contudo, nos próximos dias, lançaremos um plano estratégico, denominado ‘Plano de 90 Dias’, voltado para o combate e a prevenção do uso de entorpecentes”, afirmou.
Falando durante uma sessão ordinária da Assembleia Provincial, o governante apelou ao envolvimento de todas as forças políticas e sociais, sublinhando que o fenómeno afecta transversalmente a sociedade.
“Solicito a colaboração de todos os partidos representados, pois a problemática da droga atinge indiscriminadamente. A criança ou o jovem afectado podem ser filhos de qualquer um de nós”, declarou.
O governador reforçou que o consumo de drogas não distingue classes sociais nem filiações ideológicas. “A droga não faz distinção de ideologia ou posição social. Ela atinge a nossa juventude, e isso é uma realidade”, acrescentou.
Além do plano anunciado, Abdula garantiu que já estão em curso operações no terreno para travar o tráfico em diferentes pontos da província. No distrito de Mossuril, segundo disse, foi adoptada uma política de “tolerância zero” contra traficantes.
“Declarei tolerância zero aos traficantes de drogas. Contudo, para efectivar essa política, precisamos de apoio”, afirmou.
O governante defendeu ainda que o combate ao fenómeno deve começar no seio familiar, apontando a responsabilidade colectiva na prevenção. “A responsabilidade no combate à droga começa, primordialmente, na família. Os jovens que a consomem são nossos filhos, que saem de nossas casas”, disse.
Segundo Abdula, o problema já ultrapassou fronteiras sociais e económicas. “Já testemunhámos casos de indivíduos de diferentes origens e posses envolvidos com entorpecentes”, referiu.
O “Plano de 90 Dias” surge, assim, como a principal aposta do Executivo provincial para conter a escalada do consumo e tráfico de drogas, num contexto marcado por crescente indignação pública e aumento de ocorrências registadas pelas autoridades. Agostinho Miguel

