Moçambique cai para o fundo da corrupção entre os países lusófonos africanos

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Moçambique surge como o país pior classificado entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Índice de Percepção da Corrupção (CPI) 2025, divulgado esta terça-feira pela Transparência Internacional. O resultado volta a colocar o país entre os Estados com maiores fragilidades na integridade do sector público, acendendo um alerta vermelho sobre a governação.

O CPI, que na sua 31.ª edição avaliou mais de 180 países e territórios, mede a percepção da corrupção no sector público com base em diversas fontes independentes. Em 2025, Moçambique obteve apenas 21 pontos numa escala que vai até 100, desempenho que o coloca no último lugar entre os PALOP, a par da Guiné-Bissau.

Entre os países lusófonos africanos, Cabo Verde destaca-se como o melhor classificado, com 62 pontos, seguido de São Tomé e Príncipe, com 43. Angola surge com 32 pontos, situando-se na média da África Subsaariana, enquanto Moçambique e Guiné-Bissau fecham a lista com a pontuação mais baixa.

O relatório sublinha que a corrupção continua a minar instituições públicas, a enfraquecer o Estado de Direito e a agravar desigualdades sociais, sobretudo em países onde os mecanismos de fiscalização são frágeis e a impunidade permanece regra. A Transparência Internacional alerta que pontuações abaixo dos 50 pontos indicam problemas graves de governação, com impactos directos no desenvolvimento económico e na confiança dos cidadãos.

Apesar do cenário negativo, o CPI 2025 reconhece alguns progressos pontuais no espaço lusófono africano. Angola, por exemplo, registou uma subida acumulada de 17 pontos desde 2015, atribuída a reformas legais e a iniciativas de combate à corrupção. Ainda assim, o relatório assinala que uma parte significativa da população angolana considera insuficientes os esforços do Governo e teme represálias contra quem denuncia práticas ilícitas.

A nível global, a deterioração não se limita a países em desenvolvimento. Democracias historicamente associadas a elevados padrões de integridade, como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Suécia, registaram recuos significativos, evidenciando uma tendência internacional preocupante. Em contrapartida, a Dinamarca mantém-se no topo do índice pelo oitavo ano consecutivo, com 89 pontos, seguida da Finlândia (88) e de Singapura (84).

Para a Transparência Internacional, os resultados de 2025 confirmam uma crise de liderança no combate à corrupção à escala mundial. No caso de Moçambique, a organização defende reformas profundas, maior independência das instituições de justiça e protecção efectiva dos denunciantes como passos urgentes para travar um declínio que já se tornou estrutural. Redacção

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