Moçambique enfrenta pressões económicas crescentes e poderá assistir a uma desvalorização significativa do metical ao longo deste ano, segundo projecções da consultora britânica Oxford Economics, que alerta para o agravamento de vários indicadores de risco no país.
Num relatório recente sobre riscos macroeconómicos em África, a consultora aponta que a moeda moçambicana poderá perder cerca de um quinto do seu valor antes da segunda metade do ano, cenário associado à fragilidade das reservas em moeda estrangeira e ao peso elevado da dívida pública.
De acordo com os analistas, “uma desvalorização parece inevitável para o metical”, num contexto em que o Governo poderá ser pressionado a adoptar reformas no regime cambial no âmbito das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um eventual pacote de assistência financeira.
A consultora considera que o actual modelo cambial poderá tornar-se difícil de sustentar, sobretudo perante a necessidade de restaurar a confiança dos mercados e assegurar financiamento externo.
Pressões económicas acumulam-se
O relatório identifica um conjunto de factores que contribuem para o aumento das vulnerabilidades económicas do país. Entre eles estão os efeitos de choques climáticos recentes, que afectaram a actividade agrícola e infra-estruturas, bem como constrangimentos em sectores industriais estratégicos.
Os analistas também mencionam o impacto potencial da redução temporária da produção em grandes projectos industriais e energéticos, incluindo trabalhos de manutenção em instalações ligadas ao sector do gás natural na província de Cabo Delgado.
Estes factores, combinados com limitações estruturais da economia e dependência significativa de financiamento externo, colocam pressão adicional sobre as contas públicas e a balança de pagamentos.
O estudo da Oxford Economics utiliza um índice composto para avaliar vulnerabilidades macroeconómicas em vários países africanos, tendo Moçambique registado uma pontuação elevada no indicador de risco económico.
Contudo, especialistas alertam que esses índices devem ser interpretados com cautela, uma vez que reflectem apenas determinados parâmetros económicos e não constituem uma avaliação global da estabilidade de um país.
Economistas sublinham que Moçambique continua a apresentar também factores de potencial crescimento, particularmente ligados aos megaprojectos de gás natural e ao investimento em infra-estruturas, que poderão contribuir para melhorar as perspectivas económicas no médio prazo.
Analistas consideram que a evolução da economia moçambicana dependerá, em grande medida, da capacidade do Governo de implementar reformas fiscais e financeiras que permitam reduzir o peso da dívida e fortalecer as reservas externas.
A eventual conclusão de um novo programa com o Fundo Monetário Internacional poderá desempenhar um papel importante nesse processo, ao facilitar acesso a financiamento e reforçar a credibilidade das políticas macroeconómicas. Redacção
Entretanto, especialistas alertam que uma eventual desvalorização cambial, embora possa ajudar a corrigir desequilíbrios externos, poderá também aumentar a pressão sobre o custo de vida, sobretudo num país fortemente dependente de importações. Redacção

