Empresas nacionais podem finalmente ganhar com o gás

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As oportunidades de negócio ligadas ao megaprojecto de gás natural no norte de Moçambique estão novamente abertas, e desta vez o recado é claro: as empresas nacionais devem preparar-se para ficar com uma fatia do bolo.

Durante um encontro recente na capital do país, os responsáveis pelo projecto Mozambique LNG apresentaram várias oportunidades de contratos para empresas moçambicanas. As áreas incluem construção, logística, manutenção e prestação de serviços — sectores que podem gerar emprego e dinamizar a economia.

Segundo informações divulgadas pelo Club of Mozambique, as empresas locais foram incentivadas a organizar-se e posicionar-se para aproveitar estas oportunidades, numa altura em que o projecto caminha para um reinício gradual.

Esta iniciativa faz parte da política de “conteúdo local” do Governo, que pretende garantir que os grandes projectos de recursos naturais beneficiem também empresas e trabalhadores moçambicanos, e não apenas investidores estrangeiros.

Um relatório do Banco Mundial, publicado em 2023, defende que este tipo de política é essencial para que países como Moçambique consigam transformar recursos naturais em desenvolvimento real.

O que está em jogo

O projecto Mozambique LNG é liderado por um consórcio chefiado pela petrolífera francesa TotalEnergies e prevê a exploração dos campos de gás Golfinho e Atum, localizados na Bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado.

A expectativa é produzir cerca de 13,1 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, colocando Moçambique entre os grandes produtores mundiais.

As actividades foram suspensas em 2021 devido à insegurança em Cabo Delgado, mas agora há sinais claros de retoma. Já foram lançados pedidos de manifestação de interesse, sobretudo na área de logística, para identificar empresas que possam prestar serviços ao projecto.

Além disso, em Março de 2026, o Governo criou um comité interministerial para reforçar o controlo e supervisionar os planos de desenvolvimento dos projectos de gás na Bacia do Rovuma.  A exigência de maior participação das empresas nacionais não é nova. Em 2025, o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave, já tinha defendido que sem envolvimento local, o gás não trará desenvolvimento ao país. Redacção

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