No Mercado Central de Nampula, o almoço só fica completo com uma Coca-Cola

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Em meio à correria e ao calor, comer rápido ao lado da banca virou rotina. E, na pausa para a refeição, a Coca-Cola ganhou espaço como companheira constante de centenas de vendedores do Mercado Central de Nampula.

Texto: Agostinho Miguel

O Mercado Central de Nampula acorda sempre antes do sol. Os vendedores chegam ainda de madrugada, montam as bancas, estendem os produtos, preparam o troco. A rotina é pesada e não dá trégua até o fim da tarde.

Ao meio-dia, a fome aperta. Mas sair para almoçar num lugar tranquilo é um luxo que poucos podem pagar. O movimento não diminui. Cada minuto fora da banca pode significar um cliente que vai comprar com o vizinho. A pressão é real e está no ar.

A solução encontrada é prática e directa: comer ali mesmo, ao lado das mercadorias, entre um atendimento e outro. É um almoço rápido, por vezes em pé, sempre com atenção redobrada ao que acontece à volta. E nessa refeição improvisada, há uma coisa que quase nunca falta: a Coca-Cola.

A bebida tornou-se presença constante nas pausas para o almoço. Para muitos vendedores, já faz parte do dia-a-dia. Não é propaganda. É hábito. “Comer sem Coca-Cola não é a mesma coisa”, diz Momade Ali.

Ali trabalha no mercado há mais de 17 anos. A banca dele vende sacos plásticos de todos os tamanhos, dos pequenos para embalagens até os grandes para armazenamento. Foi com esse negócio que construiu a sua casa e sustentou a família. Hoje, um dos filhos trabalha ao seu lado.

Com a ajuda do filho, Ali consegue manter o negócio aberto sem parar. Enquanto o rapaz sai para comprar a comida, ele continua a atender. Quando a refeição chega, os dois comem em poucos minutos. Sem pausa longa. Sem desperdício de tempo.

E a Coca-Cola está sempre ali. “Já é hábito. Comer sem Coca-Cola não é a mesma coisa”,  conta Ali, sem hesitação.O prato é simples: arroz ou xima, às vezes com um pouco de molho. Nada de especial. É comida rápida, feita para sustentar até ao fim do dia. A Coca-Cola entra como um refresco necessário. Ali conta que ajuda a tornar o almoço mais leve, mesmo no meio ao calor que faz no mercado.

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“Ajuda a aguentar o dia”

Nem todos os dias são bons. Há semanas em que as vendas caem e o rendimento mal dá para comprar a comida completa. Nessas alturas, a estratégia muda, mas a bebida continua presente.

“Quando não conseguimos comprar comida, tomamos Coca-Cola. Isso ajuda a aguentar o dia”, explica o vendedor.

A frase é dura, mas é a realidade. Para Ali e muitos colegas, a bebida deixa de ser um acompanhamento e vira uma ajuda momentânea para enfrentar as horas de trabalho.

A situação dele não é isolada. Pelo Mercado Central, dezenas de comerciantes vivem a mesma situação: longas horas em pé, pressão constante para vender, pausas curtas. A comida é rápida. A Coca-Cola virou um hábito enraizado nesse ritmo.

Ali conta que a bebida dá ânimo. Refresca. Alivia o cansaço acumulado de um dia que começou antes do sol nascer. Nada de exageros poéticos. Apenas o suficiente para seguir em frente.

Um hábito que veio para ficar

Com o tempo, o consumo da Coca-Cola tornou-se parte da rotina dos vendedores. Não é um luxo nem uma escolha planeada. Simplesmente aconteceu. No meio de tanta correria, o momento da refeição ganha um pequeno valor. A bebida traz frescura. Ajuda a manter o ritmo.

O Mercado Central de Nampula continua a pulsar todos os dias. Os vendedores seguem a lutar pelo sustento com o suor na testa. E, nesse cenário, a Coca-Cola mantém-se como uma aliada silenciosa, presente nas refeições e na rotina de quem trabalha sem parar. Agostinho Miguel

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