A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) inaugurou esta sexta-feira, em Maputo, a Sala Ruth First, um espaço memorial criado para preservar o legado da histórica activista, jornalista e cientista social sul-africana assassinada em 1982 por uma carta-bomba enviada pelo regime do apartheid.
A sala foi instalada no Centro de Estudos Africanos (CEA), precisamente no antigo escritório onde Ruth First trabalhou como directora de investigação durante cinco anos e onde acabou morta num dos episódios mais marcantes da repressão do regime segregacionista sul-africano contra intelectuais e activistas anti-apartheid.
O projecto foi desenvolvido pelo CEA em parceria com o Freedom Park e transforma o antigo gabinete da activista num espaço de memória, pesquisa e reflexão sobre a luta pela liberdade, justiça social e direitos humanos na África Austral.
Durante a cerimónia, o reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, afirmou que a inauguração da sala integra igualmente as celebrações dos 50 anos da atribuição do nome “Eduardo Mondlane” à universidade.
Segundo o dirigente, o espaço simboliza o reconhecimento institucional do legado internacional deixado por Ruth First, cuja memória continua viva através de fundações, bolsas de estudo e outras homenagens em vários países.
“Esta sala vai atrair e inspirar estudantes, docentes, investigadores e o público em geral, sobretudo as novas gerações, lembrando-nos da importância do conhecimento da nossa história colectiva”, afirmou.
O reitor alertou ainda para os desafios actuais relacionados com a desinformação e os discursos de ódio, sublinhando que a universidade deve continuar a defender o conhecimento científico e o pensamento crítico como instrumentos de promoção das liberdades e dos direitos humanos.
Por sua vez, a ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, destacou o papel de Ruth First na consolidação da investigação académica e da produção de conhecimento sobre as realidades africanas.
“A Sala Ruth First sintetiza o papel da universidade na promoção das liberdades, dos direitos humanos e do conhecimento profundo das realidades sociais”, afirmou.
A governante considerou igualmente que o espaço representa um importante património histórico, científico e cultural para os povos da região, ao recordar a luta colectiva contra os regimes segregacionistas na África Austral.
Em representação do Governo sul-africano, Peace Mabe descreveu Ruth First como uma investigadora brilhante e uma figura incontornável da luta anti-apartheid, defendendo que o espaço deve servir de inspiração para futuras gerações de investigadores africanos.
Já a representante do Freedom Park, Barbara Watson, afirmou esperar que a sala contribua para amplificar o legado da activista e estimular debates sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelas sociedades africanas.
Ruth First foi uma destacada jornalista e activista sul-africana que combateu activamente o regime do apartheid. Exilou-se em Moçambique após a intensificação da repressão política na África do Sul e integrou o Centro de Estudos Africanos da UEM, onde desenvolveu investigação sobre questões sociais e políticas da região até ser assassinada em Agosto de 1982.
Redacção

