A Conferência Episcopal de Moçambique lançou um duro alerta sobre o agravamento da violência e da intolerância religiosa no país, denunciando ataques contra comunidades cristãs e advertindo para sinais evidentes do alastramento da insegurança para outras regiões além de Cabo Delgado.
Numa nota pastoral divulgada esta terça-feira, os bispos católicos moçambicanos condenam a destruição e profanação de igrejas, classificando os actos como “uma ferida aberta no coração do povo” e “um atentado contra a dignidade humana e a liberdade religiosa”.
O documento, assinado pelo presidente da conferência, Dom Inácio Saure, arcebispo de Nampula, manifesta solidariedade à Diocese de Pemba e às populações afectadas pela violência armada em Cabo Delgado.
“Condenamos com veemência todas as formas de extremismo violento e de manipulação das populações, especialmente dos jovens, adolescentes e crianças”, afirmam os bispos, denunciando interesses religiosos, económicos e ligados à exploração de recursos naturais como factores por detrás da violência.
Na mensagem, a igreja católica acusa grupos extremistas de instrumentalizarem a religião para justificar actos violentos, advertindo que a destruição de locais de culto ameaça a convivência histórica entre cristãos, muçulmanos e praticantes das religiões tradicionais africanas em Moçambique.
Os bispos defendem ainda que o Governo tem o dever de garantir a segurança, a dignidade humana e a protecção do património nacional, sublinhando que estes princípios estão “gravemente postos em causa” em Cabo Delgado.
A nota pastoral vai mais longe ao alertar para “evidentes sinais” de expansão da violência para o resto do país, sobretudo para a região Norte.
Num dos pontos mais fortes do documento, a Conferência Episcopal de Moçambique pede às autoridades uma “decisão corajosa” para travar imediatamente a intolerância religiosa, advertindo que o actual clima de hostilidade contra cristãos pode abrir caminho para outras formas perigosas de radicalismo.
Os líderes religiosos apelam igualmente à união entre comunidades religiosas, sociedade civil e autoridades para promover a paz, o diálogo e a reconciliação nacional.
“O futuro de Moçambique não pode ser construído sobre a violência, mas sobre a confiança mútua, a verdade, a tolerância e o respeito pela dignidade de cada pessoa”, refere o documento.
A nota termina com um apelo à oração pela paz em Cabo Delgado e em todo o país, pedindo protecção divina para as populações afectadas pela violência armada. Agostinho Miguel

