Nampula celebra a força da tradição no vibrante Festival Karama Kunene e Tufo 2025

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
blank

A cidade de Nampula transformou-se, no último fim-de-semana, num verdadeiro palco da cultura moçambicana com a realização da quarta edição do Festival Karama Kunene e Tufo 2025, um evento que reafirma o valor das danças tradicionais como expressão viva da identidade do povo.

Agostinho Miguel

Desde sábado, mais de 70 bailarinos e tocadores de instrumentos tradicionais, provenientes de distritos como Nampula, Monapo, Nacala-Porto, Meconta, Mossuril e Ilha de Moçambique, encantaram o público com atuações repletas de energia, harmonia e simbolismo ancestral.

A edição deste ano trouxe uma novidade histórica: a fusão inédita das danças Kunene e Tufo, executadas em simultâneo. O resultado foi uma composição vibrante de ritmos e movimentos que demonstrou a capacidade dos artistas de inovar sem perder a essência das suas tradições.

Para Funtora Brasa, membro da comissão organizadora, o principal objectivo do festival é preservar e valorizar o património cultural. “O Karama Kunene e Tufo é mais do que uma celebração — é uma escola viva. Aqui, os mais velhos ensinam, os jovens aprendem e todos partilhamos o orgulho de pertencer a uma cultura rica e diversa”, destacou.

Estima-se que mais de 1.500 pessoas tenham assistido às apresentações entre sábado e domingo, enchendo o recinto com cor, alegria e entusiasmo. A cada batida dos tambores, o público respondia com aplausos e gritos de emoção.

A vereadora para Educação, Juventude e Cultura do município de Nampula, Ângela Benesse, sublinhou o impacto comunitário do evento. “Este festival mostra que, quando a arte se alia à tradição, conseguimos preservar a nossa história e reforçar os laços comunitários. Que a cultura continue a ser o elo que nos une”, afirmou.

Durante todo o festival, o ambiente foi de convivência e transmissão de saberes entre gerações. Os mais velhos orientavam os mais jovens nos gestos, nos ritmos e nas coreografias, garantindo a continuidade de um legado que ultrapassa o tempo.
“Dançamos Karama porque é a nossa tradição. Faz parte de quem somos”, disse uma das participantes, com dez anos de experiência no grupo. “Quando danço, sinto que a história dos meus antepassados ganha vida em mim.”

O público partilhava o mesmo sentimento. Magido Alberto, que assistiu ao festival pela primeira vez, não escondeu o encantamento. “A energia é contagiante. Nunca pensei ver tanta beleza e talento num só lugar.”

Outro espectador, Saide Mário, destacou o ambiente acolhedor criado pelo encontro cultural: “Aqui, todos somos uma família. O Karama Kunene e Tufo une-nos através da cultura.”

Além de promover o reencontro com as raízes, o festival tem desempenhado um papel importante na revelação de novos talentos e na promoção do turismo cultural. Para os organizadores, Nampula tem potencial para tornar-se um centro de referência das artes tradicionais moçambicanas.

Para muitos participantes, o Festival Karama Kunene e Tufo é mais do que um evento anual: é uma afirmação de resistência cultural num mundo cada vez mais globalizado. O som dos tambores e o ritmo das danças simbolizam a força de um povo que preserva com orgulho a sua história e a transmite às novas gerações.

Com o eco do último tambor, fica a certeza de que o festival continuará a crescer e a afirmar Nampula como um verdadeiro epicentro da cultura moçambicana. O Karama Kunene e Tufo 2025 termina, mas o seu legado permanece — uma celebração da vida, da dança e da identidade, um tributo vibrante à alma cultural da província.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *