Parturiente dá à luz no corredor de centro de saúde por alegada falta de luvas

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Direcção do Centro de Saúde de Chiuaula confirma ocorrência e suspende equipa de serviço; autoridades falam em negligência

Uma bebé nasceu à porta da maternidade do Centro de Saúde de Chiuaula, na cidade de Lichinga, província do Niassa, depois de a mãe ter alegadamente sido impedida de receber assistência devido à falta de luvas, num caso que levou à suspensão da equipa de serviço e à abertura de processos disciplinares.

O incidente ocorreu na madrugada de 15 de Junho e foi confirmado pelo director da unidade sanitária, Geraldo Pagocho, que reconheceu ter havido falhas no atendimento prestado à parturiente.

Rosalina Fabião Dino, de 23 anos, residente no bairro Josina Machel, conhecido por Changanane, contou que se dirigiu ao centro de saúde por volta das duas horas da madrugada, acompanhada pelo marido e outros familiares, para dar à luz o seu segundo filho.

Segundo relatou, ao chegarem à maternidade, a enfermeira de serviço perguntou se possuíam luvas para o parto. Perante a resposta negativa, terão sido orientados a procurar assistência no Hospital Provincial de Lichinga.

“Eu disse que não conseguiria chegar ao Hospital Provincial. O meu marido pediu que nos atendessem e prometeu repor as luvas mais tarde. Mas mandaram-nos sair. Quando tentava levantar-me, percebi que a criança já estava a nascer. O meu cunhado estendeu uma capulana no chão e foi ali mesmo que dei à luz”, contou.

A jovem mãe afirmou que, após o nascimento da criança, recebeu assistência de estudantes estagiários de saúde que se encontravam na unidade, equipados com material de protecção, incluindo luvas.

Apesar das circunstâncias, tanto a mãe como a recém-nascida encontram-se em bom estado de saúde.

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O director do Centro de Saúde de Chiuaula confirmou que a bebé nasceu no corredor de acesso à maternidade e reconheceu que a profissional de saúde em serviço teve uma postura inadequada.

“Na verdade, houve má abordagem da situação. A enfermeira limitou-se a permanecer deitada e não prestou os cuidados devidos à parturiente. Os estudantes acabaram por assegurar a assistência necessária e encaminharam a mãe e a criança para uma cama”, explicou Geraldo Pagocho.

Segundo o responsável, embora a unidade enfrente dificuldades relacionadas com a escassez de luvas, existiam meios para atender a paciente naquela madrugada, uma vez que os estudantes em estágio dispunham do material necessário.

Pagocho acrescentou que o caso foi comunicado aos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social, ao Governo do distrito e aos Serviços Provinciais de Saúde, tendo sido decidida, numa primeira fase, a suspensão da equipa que se encontrava de serviço enquanto decorrem as investigações.

“Entendeu-se que houve procedimentos inadequados por parte da enfermeira. O processo continua em curso e aguardam-se as medidas subsequentes”, afirmou.

Também o administrador do distrito de Lichinga, David Machimbuko, condenou o sucedido, classificando-o como um acto de negligência e de falta de empatia.

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“Existem indícios de que havia luvas disponíveis para outros atendimentos. Por isso, foi criada uma equipa de inspecção para apurar as circunstâncias do caso e determinar as responsabilidades”, declarou.

Machimbuko avançou que os profissionais envolvidos foram suspensos preventivamente enquanto prosseguem os processos disciplinares e as averiguações.

“Isso é falta de empatia”, resumiu o administrador.

O caso reacendeu o debate sobre as condições de funcionamento das unidades sanitárias e a qualidade do atendimento prestado aos utentes, numa altura em que persistem denúncias de carências de material médico e de dificuldades no acesso aos serviços básicos de saúde em várias regiões do país. Pedro Fabião

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