Secretário de Estado exige revisão do preço do cimento produzido em Niassa

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O Secretário de Estado na província do Niassa, Silva Livone, exigiu esta terça-feira que a direcção da fábrica de cimento de Chimbunila reveja, com urgência, os preços praticados no mercado, considerando-os desajustados face ao custo real de produção e ao poder de compra das famílias locais.

Durante uma visita de trabalho à unidade fabril, inaugurada em Dezembro de 2024, Livone expressou surpresa com o facto de o cimento produzido no próprio distrito estar a ser vendido na cidade de Lichinga a valores que variam entre 480 e 500 meticais por saco de 50 quilos, praticamente o mesmo preço praticado por fábricas localizadas em Nacala-Porto e Pemba — cujos custos de transporte são significativamente superiores.

“O cimento é fabricado aqui, com matéria-prima retirada do nosso solo. Não há razão para que o preço final seja tão elevado. É preciso rever esta tabela de preços, porque o produto deve servir o desenvolvimento da província e o bem-estar do nosso povo”, afirmou o governante.

A fábrica, um investimento de 20 milhões de dólares norte-americanos em capitais chineses, possui uma capacidade instalada de 200 mil toneladas anuais e emprega actualmente 200 trabalhadores moçambicanos e 40 técnicos estrangeiros.

Poluição ambiental também preocupa autoridades

Além do preço, o Secretário de Estado manifestou preocupação com os níveis de poluição ambiental gerados pela actividade industrial. Durante a visita, Livone pediu à direcção da empresa para adoptar medidas mais rigorosas de mitigação dos impactos ambientais, garantindo o cumprimento das normas nacionais de segurança e sustentabilidade.

“Queremos investimentos que tragam benefícios reais para a província, mas que também respeitem a vida, a saúde e o ambiente. O desenvolvimento não pode ser feito à custa da qualidade do ar e do bem-estar das comunidades vizinhas”, sublinhou.

Consumidores contestam preços

A contestação ao preço do cimento de Niassa tem vindo a crescer entre os consumidores locais, que consideram “injustificável” pagar praticamente o mesmo valor por um produto fabricado dentro da província.

De acordo com comerciantes e construtores ouvidos por este jornal, a diferença de apenas 80 meticais entre o preço do cimento local e o de marcas vindas de Nacala-Porto e Pemba — onde os custos logísticos são mais altos — levanta dúvidas sobre a política de fixação de preços da empresa.

Para muitos, a expectativa era que a instalação da fábrica em Chimbunila representasse uma redução significativa no custo do cimento e impulsionasse o sector da construção civil na região, ainda marcada por desafios de infra-estrutura e acesso a materiais de construção acessíveis.

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