O partido ANAMOLA, recentemente legalizado em Moçambique, denuncia um ambiente de perseguição e ameaças contra os seus membros e dirigentes na província de Nampula. Em conferência de imprensa realizada na semana finda, o coordenador provincial, Castro Niquina, falou em “perseguição sistemática” e acusou as forças de segurança de actuarem de forma parcial, comprometendo a liberdade política e a democracia no país.
Segundo Niquina, nas últimas semanas multiplicaram-se episódios de intimidação por indivíduos não identificados, cuja actuação seria, nas suas palavras, “deliberadamente organizada para enfraquecer o partido e desestabilizar as suas bases”. O dirigente descreveu o ambiente político em Nampula como “anormal e preocupante”, e alertou para os riscos de regressão democrática.
A tensão aumentou após uma marcha em Nacala-Porto, onde um indivíduo armado foi neutralizado pelas autoridades quando se aproximava da caravana da ANAMOLA. Niquina afirmou que o suspeito teria perguntado insistentemente pela sua localização, levantando receios de um atentado contra a liderança do partido. Até ao momento, a polícia não forneceu informações sobre a identidade ou motivações do homem.
Além do episódio de Nacala, o partido relata casos de intimidação e ameaças em Mogovolas e Moma. Em Mogovolas, teria sido detectado um plano de assassinato contra o coordenador distrital da ANAMOLA, enquanto em Chalaua, distrito de Moma, membros da organização relataram perseguição constante.
“Estas acções mostram que há um esforço organizado para silenciar o nosso partido. Mas continuaremos firmes e determinados”, afirmou Niquina.
O dirigente anunciou ainda que a ANAMOLA prepara uma grande marcha provincial no dia 22 de Outubro, em Nampula, que marcará o lançamento oficial do partido na província. O evento, segundo disse, servirá para “mostrar que a ANAMOLA não se deixa intimidar e está comprometida com a transformação social e política do país”.
Durante a conferência, Niquina acusou a polícia de agir de forma selectiva, “protegendo interesses partidários” e não garantindo a segurança dos cidadãos. Citou o caso de cinco militantes da ANAMOLA detidos em Moma sob alegações de vandalismo político. A detenção provocou revolta popular e terminou com a libertação dos membros, mas deixou, segundo o dirigente, “fortes indícios de manipulação e parcialidade das forças de segurança”.
A ANAMOLA defende reformas institucionais profundas, incluindo a criação de uma Comissão Nacional de Eleições verdadeiramente independente, reformas na administração pública e medidas para combater a burocracia e favorecer o desenvolvimento económico local.
“A nossa proposta de mudança assusta quem vive da manutenção do sistema. A ANAMOLA representa uma nova forma de fazer política, e isso provoca medo em certas forças”, disse Niquina.
O coordenador provincial reafirmou que o partido continuará a expandir as suas bases e a mobilizar a população em todo o país. “Mesmo diante de ameaças, não recuaremos. O nosso compromisso é com o povo moçambicano e com a democracia”, concluiu.
A denúncia da ANAMOLA evidencia o crescente clima de tensão política em Nampula e reabre o debate sobre a imparcialidade das instituições de segurança e a real abertura do espaço democrático para novos actores políticos em Moçambique.

