NGANI, 12 de Setembro de 2025 – Maputo está a reposicionar-se no mapa económico da África Austral. A modernização do corredor ferroviário Maputo–Ressano Garcia, fruto de um acordo de financiamento de USD 133 milhões da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e EUR 30 milhões da União Europeia, promete não apenas alterar a paisagem ferroviária do país, mas também redefinir a sua função como hub logístico e comercial da região.
O projecto vai além da simples reabilitação de trilhos e sistemas de sinalização. Com a duplicação da capacidade de transporte, de 14,9 milhões para 44,6 milhões de toneladas anuais, o corredor torna-se essencial para os fluxos comerciais que unem Moçambique à África do Sul, Essuatíni e Zimbábue. Para economistas, é um salto estratégico que reduz custos, acelera entregas e cria condições para maior competitividade regional.
No imediato, o alívio do trânsito rodoviário pesado promete mais segurança nas estradas e menos desgaste das infraestruturas viárias. No plano ambiental, calcula-se uma redução de 30 mil toneladas de CO₂ por ano, resultado da transferência de cargas hoje transportadas por camiões para os comboios.
Mas há também impactos menos óbvios: previsibilidade nos prazos de entrega e maior confiança dos investidores privados, graças à introdução de um moderno sistema de sinalização.
Um investimento social e humano
Autoridades sublinham que a modernização cria ainda espaço para a capacitação de técnicos moçambicanos, uma vez que a operação de novos sistemas tecnológicos exigirá mão-de-obra qualificada. Jovens poderão beneficiar de programas de formação, transformando o projeto num laboratório de transferência de conhecimento.
Para a União Europeia, trata-se de um exemplo concreto de como a cooperação internacional pode impulsionar não apenas a economia, mas também a sustentabilidade. Já a França enaltece o simbolismo: infraestruturas modernas são chave para atrair investimento, gerar empregos e aumentar a competitividade do país.
Apesar do entusiasmo, especialistas locais lembram que o sucesso da obra dependerá da gestão e manutenção a longo prazo. Grandes investimentos já perderam impacto em Moçambique devido à ausência de políticas claras de sustentabilidade.
No fundo, o Corredor Maputo–Ressano Garcia deixa de ser apenas uma via férrea e assume-se como um ativo partilhado pela região. Uma obra que reforça o papel de Moçambique como elo vital nas cadeias globais de valor, capaz de gerar benefícios económicos, sociais e ambientais.

