As divergências internas na Renamo continuam longe do fim. Desta vez, a delegação provincial do partido em Nampula veio a público defender o presidente Ossufo Momade e acusar o antigo deputado António Muchanga de tentar desgastar a imagem da formação política e da sua liderança através de exigências consideradas “sem fundamento legal e moral”.
A posição foi tornada pública pela delegada provincial da Renamo em Nampula, Abiba Abá, durante um comício popular realizado no bairro de Namicopo, numa altura em que persistem as tensões entre a direcção do partido e sectores críticos à liderança de Ossufo Momade.
Nos últimos meses, antigos guerrilheiros e alguns quadros seniores da Renamo têm vindo a manifestar publicamente o seu descontentamento em relação à condução do partido, acusando o actual presidente de falhas na implementação do processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR).
Entre as vozes críticas destaca-se António Muchanga, antigo deputado da Assembleia da República, que tem recorrido aos tribunais para contestar a liderança de Momade e exigir uma indemnização pelos mais de 30 anos de militância na Renamo.
Em resposta, Abiba Abá rejeitou as acusações e afirmou que Muchanga construiu toda a sua carreira política no seio da Renamo, tendo beneficiado de vários mandatos parlamentares e ocupado diferentes cargos de responsabilidade.
“É importante recordar o percurso de cada um dentro desta formação política. António Muchanga foi e continua a beneficiar da Renamo e não faz sentido exigir indemnização a uma estrutura política que o acolheu”, afirmou.
Segundo a dirigente, a pretensão do antigo deputado procura transformar a luta política em interesses financeiros, ignorando os sacrifícios feitos por milhares de membros que contribuíram para a consolidação da democracia em Moçambique sem nunca reivindicarem compensações.
“A Renamo não é uma empresa e os seus membros não são empregados. A militância rege-se pelo compromisso voluntário e pelo serviço à pátria”, sublinhou.

Delegação de Nampula acusa Muchanga de deturpar estatutos
Abiba Abá acusou igualmente António Muchanga de prestar informações falsas sobre os estatutos do partido, em referência a declarações feitas na Zambézia sobre alegados mecanismos automáticos de sucessão da liderança em caso de morte do presidente.
“Não existe qualquer disposição nos estatutos da Renamo, seja de 2000 ou de 2009, que sustente essas afirmações”, esclareceu.
A dirigente recordou ainda que o partido foi construído à custa de enormes sacrifícios, incluindo mortes, perseguições e prisões, sem que os seus protagonistas tenham exigido qualquer tipo de indemnização.
“O país tem problemas maiores”
Na ocasião, Abiba Abá afirmou que Moçambique enfrenta desafios mais urgentes, como a reconstrução após os conflitos eleitorais, o desemprego juvenil, a consolidação da paz e a restauração da confiança nas instituições.
“Mas para António Muchanga, o centro da discussão são os valores que pretende receber do partido”, lamentou.
A delegação provincial de Nampula afirmou estar atenta ao que classificou como atitudes de “arrogância, prepotência e ganância política” por parte do antigo dirigente.
Segundo Abiba Abá, nunca existiu qualquer vínculo laboral entre a Renamo e os seus dirigentes, fundadores ou militantes, razão pela qual não há fundamento para o pagamento de indemnizações decorrentes de divergências internas ou do fim de mandatos.
“Toda a actividade no seio da Renamo rege-se pela militância e pelo compromisso com o povo moçambicano. Não existem relações laborais dentro do partido”, enfatizou.
Nampula reafirma confiança em Ossufo Momade
A responsável reiterou a solidariedade da estrutura provincial para com Ossufo Momade, descrevendo-o como um líder comprometido com a paz, a reconciliação nacional e a estabilidade política do país.
“O presidente da Renamo tem demonstrado firmeza na missão de servir o povo moçambicano e de conduzir o partido com responsabilidade, unidade e determinação”, declarou.
Abiba Abá acrescentou que a Renamo continua empenhada no diálogo político e na criação de condições para a realização de eleições livres, justas e transparentes.
“Estamos focados no futuro do país e não em disputas individuais”, afirmou.
A dirigente concluiu reafirmando que a Renamo não aceitará qualquer tentativa de instrumentalização do seu nome para fins pessoais.
“Exigimos respeito pela história do partido e pela luta de todos os que contribuíram para a democracia em Moçambique. A Renamo é maior do que qualquer indivíduo e os seus valores estão acima dos interesses pessoais”, concluiu. Agostinho Miguel
