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Sociedade

Ordem dos Médicos anula exames e lança dúvidas sobre formação em Medicina na UniLúrio

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A Ordem dos Médicos de Moçambique (OrMM) anulou os exames de certificação realizados por graduados do curso de Medicina da Universidade Lúrio (UniLúrio), alegando “irregularidades graves” no processo de formação na Faculdade de Ciências de Saúde.

A decisão, comunicada em Setembro de 2024, surge após uma missão de verificação que detectou ausência de pautas, estágios incompletos e falhas administrativas, incluindo docentes sem contrato e falta de aulas regulares desde 2021.

Com base nestas constatações, a OrMM declarou nulos os resultados dos exames realizados a 11 de Maio de 2024, determinou a suspensão temporária da admissão de novos candidatos oriundos da UniLúrio e recomendou a criação de uma comissão de inquérito para avaliar a qualidade do ensino médico naquela instituição.

Contactado, o vice-reitor académico da UniLúrio, Fred Nelson, afirmou que a universidade “certifica apenas estudantes que cumpriram integralmente o plano de estudos”, garantindo que a instituição continua em diálogo com a Ordem para esclarecer a situação.

“Todos os graduados certificados pela Universidade Lúrio concluíram o seu percurso académico conforme o plano de estudos. A Ordem é que deve pronunciar-se sobre as suas decisões”, disse Nelson. O bastonário da Ordem dos Médicos, Gilberto Manhiça, recusou-se a comentar o caso.

Estudantes sem estágio há quatro meses

Enquanto o impasse persiste, os estudantes do sexto ano de Medicina enfrentam outro problema: há quatro meses aguardam o início do estágio profissional no Hospital Central de Nampula.

Segundo os estudantes, o atraso deve-se à falta de fundos para os subsídios de estágio, responsabilidade do Ministério das Finanças. A directora provincial de Saúde, Munira Abdoo, confirmou o atraso, mas garantiu que o problema está a ser resolvido.

O vice-reitor assegurou, entretanto, que o estágio “deve arrancar nos próximos dias” e atribuiu a situação a “um mal-entendido entre as partes envolvidas”.

Apesar disso, os alunos temem que a interrupção prolongada afecte a qualidade da formação. “Estamos há quase meio ano sem prática hospitalar. Isso compromete o equilíbrio entre teoria e prática que o curso exige”, lamentou Xavier Xavier, finalista de Medicina.

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