Falta de extensionistas preocupa autoridades e ameaça produtividade agrícola em Mandimba

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A escassez de extensionistas agrários no distrito de Mandimba, na província do Niassa, está a preocupar as autoridades dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE), que alertam para os impactos negativos da insuficiência de técnicos na assistência aos mais de 65 mil agregados familiares dedicados à agricultura.

Actualmente, o distrito conta com apenas 12 extensionistas de campo, número considerado insuficiente para responder às necessidades dos produtores. Anteriormente, Mandimba dispunha de mais de 19 técnicos, parte dos quais contratados no âmbito do Programa SUSTENTA.

Segundo a directora dos SDAE de Mandimba, Alegria Samuel, a redução do efectivo resulta do término dos contratos de alguns extensionistas e da falta de recursos financeiros para a renovação dos mesmos.

“Contamos actualmente com 12 extensionistas de campo que assistem, em média, cerca de mil produtores cada um. Por insuficiência de fundos, o Governo teve de rescindir os contratos de cinco técnicos, o que reduziu significativamente a capacidade de assistência às comunidades”, explicou.

De acordo com a responsável, a diminuição do número de extensionistas compromete a disseminação de pacotes tecnológicos e a transferência de conhecimentos sobre técnicas modernas de produção, factores considerados essenciais para o aumento da produtividade agrícola.

“Sem extensionistas, torna-se difícil orientar os produtores sobre as melhores práticas agrícolas. Isso acaba por influenciar negativamente a produção, mesmo quando os agricultores possuem áreas extensas de cultivo”, acrescentou.

Alegria Samuel defende o reforço do quadro de extensionistas, propondo que cada posto administrativo disponha de pelo menos três a cinco técnicos, tendo em conta a dispersão geográfica das comunidades.

Os técnicos cujos contratos cessaram estavam distribuídos pelos diferentes postos administrativos do distrito, incluindo Mitande e Lissiete, situação que obrigou à redistribuição das áreas de intervenção dos profissionais remanescentes.

“Para conseguirmos responder às necessidades da rede de extensão rural precisaríamos, no mínimo, de 20 extensionistas. Contudo, a contratação de novos funcionários está praticamente paralisada, pelo que esperamos que nos próximos anos seja possível integrar mais técnicos”, afirmou.

Organizações da sociedade civil ajudam a suprir lacunas

Face às limitações do Estado, algumas organizações da sociedade civil e organizações não-governamentais têm desempenhado um papel complementar na assistência aos produtores, facilitando o acesso a sementes e prestando apoio técnico.

Entre as entidades que actuam em Mandimba destaca-se a Okhaviana – Rede das Organizações Comunitárias para o Desenvolvimento Sustentável –, que desenvolve actividades em comunidades anteriormente assistidas por extensionistas do Estado.

O director executivo da organização, Agostinho Chiporo, explicou que a instituição optou por formar animadores de extensão comunitária para reforçar a capacidade de transmissão de conhecimentos agrícolas.

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Agostinho Chiporo

“Nós entendemos que, perante a insuficiência de técnicos na província, era importante capacitar animadores de extensão para que estes possam continuar a transmitir conhecimentos às comunidades e apoiar os produtores locais”, disse.

A Okhaviana trabalha actualmente nos distritos de Mandimba, Maúa, Cuamba, Marrupa e Mecanhelas, abrangendo 24 comunidades e 90 organizações comunitárias, com uma meta de alcançar cerca de 2.880 produtores.

Conflito homem-fauna e excesso de chuvas agravam dificuldades

Além da escassez de extensionistas, Mandimba enfrenta problemas relacionados com o conflito entre o homem e a fauna bravia.

Segundo a directora dos SDAE, entre Janeiro e Fevereiro deste ano, dois menores perderam a vida na localidade de Meluluca, posto administrativo de Lissiete, em consequência de ataques de animais selvagens, incluindo crocodilos, hipopótamos e elefantes.

Outras duas crianças sofreram ferimentos ligeiros em incidentes registados na vila sede do distrito.

Para além das vítimas humanas, os animais têm causado danos significativos nas machambas, sobretudo nas culturas de milho e arroz.

A situação foi agravada pelo excesso de precipitação registado entre Dezembro e Março, que afectou o desenvolvimento vegetativo das culturas e provocou uma quebra de cerca de 15 por cento na produção de milho em relação às previsões inicialmente estabelecidas.

As autoridades distritais consideram que o reforço dos serviços de extensão rural continua a ser um dos principais desafios para garantir o aumento da produção agrícola e melhorar as condições de vida das famílias camponesas em Mandimba. Pedro Fabião

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