“O povo está a morrer”, acusa Associação dos Profissionais de Saúde

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A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos Solidários de Moçambique (APSUSM) afirmou esta semana que pelo menos 1.116 pessoas terão perdido a vida durante o período de greve no sector da saúde, óbitos que considera potencialmente evitáveis e associados às limitações no funcionamento das unidades sanitárias.

Em conferência de imprensa, o presidente da associação declarou que o país enfrenta um “colapso estrutural” no Sistema Nacional de Saúde (SNS) e criticou o Governo por, segundo disse, minimizar a dimensão da crise. “O povo está a morrer e o Governo ainda pede provas?”, questionou, numa referência às declarações oficiais que exigem evidências formais que relacionem directamente as mortes à paralisação.

De acordo com a APSUSM, os alegados óbitos estão ligados à falta de assistência médica atempada, escassez de medicamentos, insuficiência de material médico-cirúrgico, ausência de reagentes laboratoriais e funcionamento condicionado de diversas unidades sanitárias em várias regiões do país.

A organização sustenta que a actual crise não teve início com a greve, defendendo que a paralisação apenas tornou mais visíveis fragilidades estruturais acumuladas ao longo dos anos no sistema público de saúde. “Formámo-nos para salvar vidas, não para assistir à degradação contínua do sistema”, afirmou o dirigente associativo.

A APSUSM voltou a exigir a abertura de um diálogo que classificou como “sério, estrutural e orientado para resultados”, defendendo reformas profundas no sector, melhoria das condições de trabalho e responsabilização política na gestão do sistema.

A associação criticou igualmente posicionamentos oficiais que apontam para o funcionamento parcial de algumas unidades sanitárias, argumentando que tal abordagem não reflecte o impacto global da paralisação nem a situação vivida por milhares de utentes que enfrentam dificuldades no acesso a cuidados de saúde.

Até ao momento, o Governo não reagiu publicamente às novas declarações da APSUSM. O contexto mantém-se marcado por tensão entre as partes, enquanto utentes continuam a reportar constrangimentos no atendimento em diferentes pontos do país. Redacção

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