Direcção nega ameaças, mas líder da ANAPRO diz: “estão a encobrir a verdade”

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
blank

Direcção nega intimidações contra líder da ANAPRO, mas docente insiste nas acusações e fala em encobrimento

A direcção da Escola Secundária de Namialo, no distrito de Meconta, província de Nampula, negou ter conhecimento de alegadas ameaças de morte contra o secretário provincial da Associação Nacional de Professores (ANAPRO), Arnaut Naharipo, contrariando denúncias que vieram a público nos últimos dias.

A reacção surge após a divulgação do caso pelo jornal NGANI, que gerou forte repercussão junto da sociedade civil, com organizações e activistas a exigirem esclarecimentos e investigação das supostas intimidações.

Entre as entidades que se pronunciaram estão a Rede Moçambicana de Defensores de Direitos Humanos (RMDDH) e a OLICANISSA, bem como os activistas Gamito dos Santos Carlos e Joaquim Pachoneia (Jota), que apelaram a uma apuração célere e transparente dos factos.

Em entrevista ao NGANI, o director da escola, Luís Lopes, afirmou que apenas tomou conhecimento do caso através das redes sociais, sublinhando não ter recebido qualquer queixa formal por parte do professor.“Em nenhum momento o colega Naharipo veio ao meu gabinete reportar ameaças. Soube do assunto pelas redes sociais”, declarou.

O responsável rejeitou igualmente que as alegadas ameaças tenham ocorrido durante uma reunião da escola, apontada pelo denunciante como o local do incidente. “Estive presente e não ouvi nenhuma intervenção que configurasse ameaça de morte”, assegurou.

blank

Segundo Lopes, a dificuldade em identificar os supostos autores das ameaças também levanta dúvidas quanto à veracidade dos factos relatados. Ainda assim, reconhece que o caso já foi encaminhado às instâncias judiciais, cabendo agora à Procuradoria esclarecer a situação.

“Compete às autoridades investigar e apurar a verdade”, afirmou.

O director admitiu, por outro lado, a existência de um ambiente de algum desconforto na escola, associado a divergências no relacionamento profissional entre Naharipo e outros colegas.

De acordo com Lopes, o docente, na qualidade de dirigente sindical, tem exigido um tratamento diferenciado, o que, segundo diz, tem gerado tensões internas.

Revelou ainda que o professor solicitou transferência para a cidade de Nampula, processo que foi tramitado legalmente, mas acabou indeferido pelo administrador distrital de Meconta, Orlando Muaevano.

Docente mantém denúncias e fala em encobrimento

Em sentido contrário, Arnaut Naharipo mantém a sua versão dos acontecimentos e acusa a direcção da escola de não ter agido com responsabilidade face à gravidade da situação.

O professor afirma viver sob medo e acusa a direcção de tentar proteger os supostos autores das ameaças. “Ninguém quis saber do meu estado psicológico. Vivo com medo. O director devia ter vergonha ao dizer que não fui ameaçado”, declarou.

Naharipo, que também é coordenador regional norte da ANAPRO, afirma ter comunicado o caso às autoridades distritais de educação, mas sem qualquer resposta, tendo posteriormente recorrido à Procuradoria Distrital de Meconta. “Se não fosse grave, não teria formalizado a denúncia. Há algo que precisa de ser investigado”, sustentou.

O docente garante ainda possuir provas das alegadas ameaças, incluindo mensagens que, segundo diz, sustentam as suas acusações. Apesar do clima de tensão e das alegadas intimidações, Naharipo afirma que não pretende recuar na sua actividade sindical.

“Tenho evidências. Mesmo com intimidações, não vou desistir de defender a classe”, afirmou.

O caso expõe uma crescente tensão no sector da educação em Nampula, colocando frente a frente a direcção de uma instituição de ensino e um dos principais rostos da luta sindical dos professores, num processo que deverá agora ser esclarecido pelas autoridades judiciais. Agostinho Miguel

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *