Partido fala em menos de 10% de execução, denuncia estradas degradadas, salários em atraso e critica incidentes em evento com capulanas
A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) acusou, esta quarta-feira (8), o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, de falhas graves na governação, alegando incumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral e ausência de resultados concretos no terreno.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do partido, Nelson Carvalho, afirmou que tanto o manifesto eleitoral como o Plano Económico e Social “praticamente não saíram do papel”. “O governador não realizou uma parte significativa daquilo que prometeu ao povo”, declarou.
Segundo a RENAMO, o nível de execução das promessas é extremamente baixo. “Se formos rigorosos, nem 10% foi alcançado — e dizer 10% já é ser generoso”, afirmou Carvalho.
O partido acusa ainda o governador de privilegiar acções de imagem em detrimento de soluções estruturais para os problemas da população. “Ir ao mercado ou tomar café não é governar. O povo precisa de obras e soluções”, disse o porta-voz.
A formação política sustenta que há uma tentativa de mascarar a falta de resultados através da exposição mediática, criticando o que considera ser “propaganda sem impacto real”.

“Ir ao mercado ou tomar café não é governar. O povo precisa de obras e soluções”, disse o porta-voz da Renamo, Nelson Carvalho.
Infraestruturas e acesso continuam críticos
A RENAMO aponta o estado das infraestruturas, sobretudo das estradas, como um dos principais indicadores daquilo que classifica como má governação.
Distritos como Lalaua, Memba e Moma são citados como exemplos de regiões onde o acesso continua difícil, com viagens longas e condições precárias. “Nampula tem recursos, mas continua parada por falta de governação séria”, sublinhou o partido.
Para a RENAMO, os problemas não são pontuais, mas sim reflexo de um padrão de governação marcado por desorganização, má gestão de recursos e ausência de prioridades claras. Outro ponto destacado foi o atraso no pagamento de salários em vários municípios da província.
Segundo o partido, há trabalhadores com três a seis meses sem remuneração em distritos como Angoche, Ribaué, Nacala-Porto, Ilha de Moçambique, Monapo, Mossuril e Malema.
A situação, de acordo com a RENAMO, tem provocado greves e paralisação de serviços públicos essenciais. O partido responsabiliza as autarquias dirigidas pela FRELIMO, acusando-as de má gestão financeira e classificando o cenário como “grave injustiça social”.
Na mesma conferência, a RENAMO condenou os incidentes ocorridos em Anchilo durante a distribuição de capulanas associada à Primeira-Dama, Gueta Chapo. O partido refere um cenário de desorganização que terá resultado no baleamento de uma mulher e no atropelamento de uma criança. “É triste ver uma iniciativa terminar com feridos. Falhou a organização e a responsabilidade”, afirmou.
Sobre a sua própria dinâmica interna, a RENAMO assegurou estar organizada e preparada para eventuais mudanças na liderança. A sucessão do atual presidente, Ossufo Momade, deverá ocorrer em congresso, conforme os estatutos do partido. “A RENAMO é um partido organizado e saberá escolher a sua liderança”, concluiu.
Agostinho Miguel
