Durante as celebrações do 11 de Abril, dia dos Jornalistas em Moçambique, repetiu-se até a náusea um ritual já conhecido: críticas à ética da classe jornalística. Mais uma vez, jornalistas foram apontados como profissionais que falham no rigor, que manipulam os factos, que cedem à pressão, que violam princípios. Bom, a acusação não é nova. O problema é que quem acusa, raramente dá as caras.
Em Nampula, a crítica à imprensa tornou-se fácil. O difícil continua a ser falar, assinar uma opinião, aceitar o contraditório, participar no debate público com responsabilidade e consistência.
A província conta com cerca de cinco ou mais instituições de ensino superior publicas e privadas. Produz licenciados, mestres, doutores. Forma quadros. Multiplica títulos. Mas quando chega a hora de intervir no espaço público, instala-se um silêncio ensurdecedor. Uma ausência que já não pode ser explicada por timidez, nem por prudência.
É, cada vez mais, uma escolha. Nesta semana NGANI enfrentou dificuldades sérias para completar um trabalho básico que consistia em ouvir especialistas, académicos, juristas, comentadores qualificados. Telefonemas ignorados, promessas adiadas. No fim, a solução foi recorrer a Maputo. Não por preferência, mas por necessidade.
E aqui está a contradição que ninguém quer discutir: os mesmos que, nos corredores frios das suas instituições académicas e salas de aula criticam a centralização do país, são os primeiros a reforçá-la com o seu silêncio. Queixam-se de que Maputo domina o debate nacional, mas quando têm a oportunidade de contribuir, retraem-se, recuam, desaparecem. Quando são solicitados para falar, fogem escudando-se nos argumentos de que os jornalistas desvirtuam as suas falas.
Leia o artigo completo no Editorial do Jornal NGANI da segunda-feira, 20 de Abril

