Jovens da cidade de Nacala-Porto, na província de Nampula, denunciaram dificuldades persistentes no acesso ao emprego formal, alegando falta de oportunidades, exclusão e supostas desigualdades nos processos de recrutamento, num cenário que, segundo afirmam, limita o futuro económico e social da juventude local.
As preocupações foram manifestadas durante o lançamento da primeira pedra para a reabilitação da avenida Samora Machel, uma obra que vai ligar a Estrada Nacional Número 12 à praia de Fernão Veloso e que é vista por parte da população como uma possível oportunidade para dinamizar a economia local.
Em entrevista ao NGANI, Dino Januário, jovem serralheiro e finalista da 12.ª classe, disse que, apesar da formação técnica, tem encontrado barreiras para ingressar no mercado de trabalho ou obter financiamento para iniciar um negócio próprio. “Eu fiz o curso de serralharia e já tentei várias vezes. Nunca consigo financiamento. Dizem que não há oportunidade. Muitas vezes sinto que não avançamos porque não fazemos parte de certos grupos”, afirmou.
Segundo o jovem, a escassez de oportunidades empurra muitos para actividades informais e precárias, sem estabilidade nem perspectivas de crescimento.
Na mesma linha, Abel Gabriel afirmou que muitos jovens percepcionam desigualdades no acesso ao emprego, alegando que factores extra-profissionais influenciam, em alguns casos, a selecção de candidatos. “Há jovens qualificados que não são chamados. Muitos sentem que o acesso não é igual para todos”, disse.
Gabriel explicou que, perante a falta de emprego, muitos jovens recorrem ao serviço de táxi-mota para garantir rendimento, embora enfrentem custos elevados de manutenção agravados pelo estado das vias. “Trabalhar de mota não é fácil. Estradas em mau estado estragam pneus, amortecedores. Gasta-se muito dinheiro e nem sempre compensa”, afirmou.
Apesar de verem com expectativa a reabilitação da avenida Samora Machel, os jovens consideram que a obra, por si só, não resolve o problema estrutural do desemprego. “Esperamos que traga desenvolvimento. Mas o principal problema continua a ser o emprego”, referiram.
Além do emprego, os jovens apontaram preocupações ligadas ao que consideram fraca inclusão em oportunidades de formação, acesso a financiamento e participação em projectos ligados à zona económica especial. “Queremos ser incluídos. Não queremos ficar sempre de fora a ver os outros a avançar”, disse Gabriel.
O secretário do bairro Triângulo, Adolfo Abudo, reconheceu que o desemprego juvenil constitui um desafio sério para a cidade, considerando que investimentos em infra-estruturas podem ajudar a dinamizar a economia e reduzir alguns problemas sociais.“Se tudo correr bem, esta obra pode trazer mudanças e reduzir alguns problemas sociais ligados ao desemprego”, afirmou.

Durante a cerimónia, o governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, defendeu a priorização da mão-de-obra local na execução das obras e apelou para que a juventude de Nacala-Porto seja beneficiada. “A empresa deve dar prioridade aos filhos de Nacala-Porto”, declarou.
O governador apelou igualmente ao Conselho Municipal para reforçar iniciativas voltadas à empregabilidade juvenil, sobretudo para jovens naturais da cidade. A reabilitação da avenida Samora Machel, com cerca de seis quilómetros, está orçada em 340 milhões de meticais e deverá ser concluída em sete meses.
Apesar das expectativas em torno do projecto, os jovens insistem que o maior desafio continua a ser a criação de mecanismos justos e transparentes de acesso ao emprego formal, condição que consideram essencial para que o desenvolvimento anunciado produza benefícios reais para a população local. Agostinho Miguel
