Sete residências e uma mesquita foram destruídas por um incêndio na noite da última quarta-feira (15), no distrito de Mossuril, província de Nampula, num incidente que deixou várias famílias sem abrigo e levou as autoridades a abrir investigações para apurar as circunstâncias do caso.
O incêndio, de origem ainda não esclarecida, ocorreu por volta das 19 horas, quando a maioria dos moradores se encontrava nas suas residências. Segundo relatos recolhidos no local, o fogo alastrou rapidamente, consumindo habitações, uma mesquita e áreas adjacentes, incluindo um campo de futebol.
Fontes ouvidas pelo NGANI indicam que há suspeitas de envolvimento de indivíduos ainda não identificados, alegadamente associados ao consumo de drogas, incluindo metanfetamina, conhecida localmente por “makha”, embora as autoridades ainda não tenham confirmado oficialmente essa ligação.
Uma das vítimas, Francisco Abudo, relatou momentos de pânico durante o incêndio.
“Estávamos a descansar quando vimos o fogo a entrar dentro de casa. Consegui tirar as crianças, mas não consegui salvar nada”, contou.
Durante a tentativa de conter as chamas e retirar bens das casas, várias pessoas sofreram ferimentos, algumas das quais foram encaminhadas para unidades sanitárias locais, segundo relatos da comunidade.
Outro residente, Januário Agostinho, disse que os primeiros sinais do incêndio teriam sido detectados por jovens da comunidade.
“Ouvi dizer que foram os miúdos que viram primeiro a mesquita a arder. Depois a população juntou-se para tentar apagar o fogo, mas já era tarde”, afirmou.
As famílias afectadas enfrentam agora dificuldades para garantir abrigo e alimentação, dependendo, para já, de apoio prestado por vizinhos e familiares.
O líder comunitário Gustavo Momade apelou ao reforço da segurança e pediu respostas das autoridades.
“Queimar casas e uma mesquita é um acto extremamente grave. Queremos respostas e mais investigações”, disse.
O administrador do distrito de Mossuril, Élio Rareque, confirmou que as autoridades estão a investigar o caso e avançou que há pelo menos um detido que poderá ajudar no esclarecimento dos factos.
“O ambiente está calmo neste momento. O governo visitou as vítimas e encorajou a população a denunciar movimentos suspeitos”, afirmou.
Rareque afastou, para já, qualquer ligação entre o caso e actos terroristas, sublinhando que as investigações ainda decorrem.
“Não podemos, neste momento, classificar como terrorismo. Estamos a trabalhar para trazer clareza aos factos”, frisou.
Durante uma visita ao distrito, o governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, aproveitou para apelar ao abandono do consumo de drogas, associando o fenómeno ao agravamento da insegurança em algumas comunidades.
Refira-se que este não é o primeiro episódio do género em Mossuril. Num caso anterior, 13 residências pertencentes a líderes comunitários e membros partidários foram incendiadas, num contexto marcado por acusações relacionadas com a propagação da cólera.
O novo incidente reacende preocupações sobre segurança, criminalidade e vulnerabilidade social naquele distrito costeiro da província de Nampula. Agostinho Miguel

