Governo admite limites no combate à gravidez precoce e pede mudança de abordagem

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O Secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Razak Amuzá Ismail, defendeu esta terça-feira, em Coimbra, que o combate à fecundidade na adolescência exige mais do que políticas sectoriais, sublinhando a necessidade de garantir direitos efectivos, acesso a serviços de qualidade e oportunidades concretas para as jovens.

Falando durante o Seminário Internacional “Demografia, Género e Democracia: Direitos Reprodutivos e Desinformação num Mundo em Transformação”, o governante afirmou que assegurar às raparigas e mulheres o direito de escolher o seu futuro é um factor determinante para o progresso das sociedades, numa intervenção centrada nos desafios persistentes ligados à desigualdade de género.

No painel dedicado às “questões de género, igualdade e fecundidade na lusofonia”, Ismail destacou avanços registados em Moçambique, sobretudo ao nível da coordenação entre sectores como saúde, justiça, acção social e polícia. Segundo explicou, esta articulação procura construir respostas integradas, ajustadas às necessidades das mulheres ao longo do ciclo de vida.

Apesar disso, o dirigente reconheceu que os desafios permanecem, defendendo a consolidação de uma abordagem multissectorial que combine reformas legais, fortalecimento institucional e intervenções no terreno. Na sua perspectiva, a transição de políticas isoladas para modelos de governação integrada representa um passo relevante, mas ainda insuficiente para alterar de forma estrutural as desigualdades de género no país.

Moçambique continua a enfrentar taxas elevadas de gravidez precoce e uniões prematuras, fenómenos frequentemente associados a factores como pobreza, abandono escolar e acesso limitado a serviços de saúde sexual e reprodutiva. Especialistas têm alertado que, sem respostas consistentes e sustentadas, estes indicadores tendem a perpetuar ciclos de vulnerabilidade, sobretudo nas zonas rurais.

O seminário, que decorre em Coimbra, reúne investigadores, decisores políticos e activistas de vários países lusófonos para discutir os impactos das transformações demográficas, o papel dos direitos reprodutivos e os desafios colocados pela desinformação num contexto global em mudança. Redacção

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