Passam hoje oito anos desde a morte de Afonso Dhlakama, figura central da política moçambicana e líder histórico da Renamo, cuja ausência continua a marcar profundamente o maior partido da oposição em Moçambique.
Dhlakama faleceu a 3 de Maio de 2018, aos 65 anos, na Serra da Gorongosa, província de Sofala, vítima de complicações de saúde. A sua morte, ocorrida na base onde residia, pôs fim a cerca de 39 anos de liderança ininterrupta da Renamo, período durante o qual se afirmou como um dos protagonistas incontornáveis da história política do país.
A notícia da sua morte foi recebida com consternação generalizada, tanto a nível nacional como internacional. Na altura, centenas de cidadãos acorreram à sede do partido, na cidade de Maputo, em busca de confirmação e detalhes, num ambiente marcado por choque e incredulidade.
Dirigentes da Renamo descreveram a perda como irreparável. Para muitos, Dhlakama transcendia a figura de líder partidário, sendo visto como símbolo de resistência política e mobilizador de massas, capaz de reunir multidões em comícios por todo o território nacional.
Ao longo de quase quatro décadas, Afonso Dhlakama liderou a Renamo em diferentes fases — da guerra civil ao período multipartidário — posicionando o partido como a principal força de oposição e um actor determinante nos equilíbrios políticos do país.
Sob a sua liderança, a Renamo consolidou uma base social significativa e alcançou resultados eleitorais expressivos, afirmando-se como segunda maior força política nacional durante vários ciclos eleitorais.
Depois de Dhlakama, uma Renamo fragilizada
O cenário político da Renamo alterou-se significativamente após a morte do seu líder histórico. Actualmente presidido por Ossufo Momade, o partido enfrenta desafios internos e externos que têm afectado a sua coesão e desempenho político.
Nos últimos anos, a Renamo registou uma redução da sua representação na Assembleia da República de Moçambique, deixando de ocupar o lugar de principal força da oposição para passar a terceira posição no xadrez político nacional.
Paralelamente, o partido tem sido palco de conflitos internos recorrentes, com membros e quadros a contestarem a liderança actual, frequentemente caracterizada por críticos como pouco dinâmica. Estas tensões têm contribuído para um ambiente de instabilidade que contrasta com a coesão observada durante a era Dhlakama.
Analistas e observadores consideram que a ausência de Dhlakama deixou um vazio de liderança difícil de colmatar, não apenas pela sua longevidade no comando do partido, mas também pelo seu carisma e capacidade de mobilização.
Oito anos depois da sua morte, o seu legado continua a suscitar debate sobre o futuro da Renamo e o papel da oposição em Moçambique, num contexto em que o partido procura redefinir-se e recuperar relevância num cenário político em constante transformação.
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