O Governo de Moçambique apresentou, este sábado, 2 de maio de 2026, na cidade de Lichinga, a Zona Especial de Processamento Agroindustrial do Corredor Pemba–Lichinga (ZEPA), um projecto avaliado em até 600 milhões de dólares norte-americanos, que visa impulsionar a industrialização agrícola e aumentar as exportações na região norte do país.
O anúncio foi feito durante o II Fórum de Investimentos de Niassa, onde o Executivo destacou a iniciativa como estruturante para reposicionar a província de Niassa no panorama económico nacional e regional.
A ZEPA conta já com financiamento inicial de 47,09 milhões de dólares assegurado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, sendo implementada no quadro de Parcerias Público-Privadas e articulada com o Corredor de Nacala, um dos principais eixos logísticos do país.
O núcleo operacional do projecto será o Parque Agroindustrial de Cuamba, onde já foram instaladas infra-estruturas essenciais, incluindo sistemas de energia, abastecimento de água, saneamento e vias de acesso.
De acordo com o Governo, a iniciativa prevê a mobilização massiva de investimento privado e a criação de cerca de 100 mil empregos directos e indirectos, estruturando-se em nove cadeias de valor prioritárias que deverão integrar produtores locais, cooperativas e micro, pequenas e médias empresas.
O projecto abrange uma área de aproximadamente 300 hectares, já assegurados através do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), e pretende dinamizar a produção, processamento e comercialização de produtos agrícolas, promovendo maior valor acrescentado.
Citada no comunicado oficial, a governadora de Niassa, Elina Judite Massengele, considerou que a iniciativa representa uma mudança estrutural para a província. “A ZEPA representa uma viragem estrutural na forma como Niassa se posiciona na economia nacional e regional. Estamos a transformar potencial em produção e produção em prosperidade partilhada”, afirmou.
Com este projecto, o Executivo aposta na industrialização baseada na agricultura como motor de desenvolvimento, procurando reduzir assimetrias regionais e reforçar o papel do norte de Moçambique na economia nacional. Redacção

