O Hospital Central de Nampula está a acolher uma formação especializada em diagnóstico e tratamento de coagulopatias, numa altura em que especialistas alertam que mais de 3.800 pessoas com hemofilia continuam sem diagnóstico em Moçambique, situação considerada crítica para o sistema nacional de saúde.
A iniciativa, promovida por especialistas ligados à Universidade Eduardo Mondlane, enquadra-se num projecto nacional de reforço das competências clínicas e laboratoriais, com enfoque na hemofilia e na doença de von Willebrand, duas das principais patologias hemorrágicas hereditárias.
Falando à margem da capacitação, Virgílio Nhantumbo, hemato-oncologista do Hospital Central de Maputo e docente da Faculdade de Medicina da UEM, explicou que o objectivo da formação é dotar os profissionais de saúde de ferramentas capazes de melhorar a suspeita clínica, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado de pacientes com distúrbios hemorrágicos.
Segundo Nhantumbo, a formação combina sessões teóricas, treino laboratorial centrado no coagulograma e discussões clínicas voltadas para a abordagem de doentes com episódios frequentes de sangramento.
“Pretende-se melhorar a capacidade de identificação destas patologias, que continuam subdiagnosticadas no país”, referiu o especialista, sublinhando que muitos pacientes convivem durante anos com sintomas hemorrágicos sem acesso a um diagnóstico correcto.

Os especialistas envolvidos no projecto reconhecem que Moçambique enfrenta sérias limitações tanto na capacidade diagnóstica como no acesso ao tratamento das coagulopatias, realidade que contribui para complicações clínicas evitáveis e aumento do risco de mortalidade.
Depois de passar pela cidade da Beira, a iniciativa chega agora a Nampula com o objectivo de expandir a capacidade diagnóstica dos hospitais e fortalecer a articulação entre médicos clínicos e laboratórios, considerada fundamental para melhorar a resposta aos doentes.
Numa primeira fase, os promotores esperam sobretudo aumentar a suspeita clínica entre os profissionais de saúde, etapa vista como decisiva para impulsionar diagnósticos mais frequentes e justificar futuros investimentos em meios laboratoriais e terapêuticos especializados.
Virgílio Nhantumbo defendeu ainda que a abordagem aos pacientes com sangramento deve ter em conta os três pilares da hemostasia, primária, secundária e fibrinólise, permitindo um raciocínio clínico mais abrangente e eficaz na identificação das possíveis coagulopatias.
A informação foi divulgada pelo Hospital Central de Nampula, através do seu Departamento de Comunicação Institucional. Redacção
