Mais de 3 mil vozes unem-se em defesa dos oceanos de Moçambique

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Mais de três mil pessoas, entre participantes presenciais e virtuais, juntaram-se em Maputo para debater o futuro dos oceanos e reforçar os compromissos de conservação da biodiversidade marinha em Moçambique, durante a 4.ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha (CBM), realizada nos dias 11 e 12 de Junho, no Hotel Glória.

Integrado na 3.ª Conferência Crescendo Azul, o evento reuniu representantes do Governo, investigadores, organizações da sociedade civil, instituições académicas, sector privado, comunidades costeiras e parceiros de cooperação, num espaço de diálogo orientado para a promoção de uma economia azul sustentável.

Ao longo de dois dias, os debates convergiram numa mensagem comum: o desenvolvimento da economia azul depende da preservação dos ecossistemas marinhos. Na abertura do encontro, o presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Carlos dos Santos, defendeu que a conservação dos recursos marinhos representa uma responsabilidade económica, social e moral, sublinhando a necessidade de transformar o conhecimento científico em políticas públicas e oportunidades de desenvolvimento sustentável.

Por sua vez, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, destacou que a biodiversidade marinha constitui a base fundamental de qualquer estratégia de desenvolvimento azul, envolvendo ecossistemas, espécies, habitats, áreas de conservação, conhecimento científico e as comunidades costeiras.

Os participantes defenderam o reforço da cooperação institucional, o investimento em investigação científica, a participação activa das comunidades locais e a criação de mecanismos inovadores de financiamento para assegurar a conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros do país.

Entre os principais resultados da conferência destacam-se a assinatura de um memorando de entendimento entre a BIOFUND e o Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul (PROAZUL), destinado a mobilizar recursos para iniciativas de conservação marinha, bem como a subscrição da Declaração de Compromisso para a implementação do Quadro Nacional das Outras Medidas Efectivas de Conservação Baseadas em Áreas (OMECs), alinhando Moçambique com a meta global de proteger 30 por cento dos ecossistemas até 2030.

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A declaração foi assinada por instituições governamentais, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil e entidades de investigação, que assumiram o compromisso de reforçar uma abordagem integrada de conservação da biodiversidade no país.

A conferência contou com 44 apresentações científicas, 38 posters e diversas sessões temáticas sobre gestão de áreas marinhas protegidas, conservação da megafauna marinha, mudanças climáticas, restauração de ecossistemas, governação comunitária, pescas sustentáveis, aquacultura e soluções baseadas na natureza.

Um dos pontos mais destacados do encontro foi o papel das comunidades costeiras e das mulheres na protecção dos oceanos. Os debates evidenciaram que a conservação da biodiversidade marinha só será sustentável se gerar benefícios concretos para as populações que dependem directamente dos recursos marinhos para a sua sobrevivência.

Os participantes defenderam igualmente a necessidade de aproximar a ciência dos processos de tomada de decisão, garantindo que os resultados das pesquisas sejam transformados em políticas e acções concretas capazes de responder aos desafios ambientais que ameaçam os oceanos.

A 4.ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha contou com a participação de dezenas de instituições nacionais e internacionais e com o apoio de diversos parceiros de cooperação e financiadores. No encerramento, foi anunciada a realização da quinta edição do evento em 2027, reafirmando o compromisso de Moçambique com a conservação dos oceanos e o desenvolvimento sustentável. Redacção

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