Fundo Soberano acumula 2 milhões de dólares no primeiro semestre

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O Fundo Soberano de Moçambique acumulou cerca de 2,01 milhões de dólares em rendimentos no primeiro semestre de 2026, num período marcado pelo início da aplicação dos recursos em carteiras de investimento de longo prazo. Os dados constam do relatório trimestral do Fundo, divulgado na passada sexta-feira, 14 de Agosto.

O desempenho consta do Relatório Trimestral de Investimento do FSM referente ao segundo trimestre de 2026, elaborado pelo Banco de Moçambique, gestor operacional do Fundo. O documento mostra que a maior parte do património resulta das receitas provenientes da exploração de gás natural, que totalizavam 116,13 milhões de dólares, enquanto 2,22 milhões correspondiam aos rendimentos líquidos acumulados desde a constituição do Fundo.

A principal mudança registada no período foi a passagem da fase de preservação temporária dos recursos, mantidos em depósitos overnight, para a implementação da estratégia de investimento de longo prazo. Em 24 de Junho, os 118,41 milhões de dólares então disponíveis foram repartidos entre uma carteira denominada em dólares norte-americanos, com uma alocação de 70%, e outra denominada em euros, com 30%.

Até 30 de Junho, a carteira em dólares estava integralmente constituída, com 82,84 milhões de dólares, enquanto a carteira em euros tinha 35,52 milhões de dólares. Parte dos recursos em euros ainda se encontrava em disponibilidades à data de referência, tendo a implementação da carteira sido concluída em 9 de Julho.

Rendimento cresce, mas títulos fecham trimestre no vermelho

No segundo trimestre, o FSM registou um rendimento bruto de 953.049 dólares, correspondente a um retorno de 0,81%. Depois de deduzidos 2.310 dólares relativos a custos de custódia, o rendimento líquido trimestral ficou em 950.740 dólares.

O resultado acumulado desde o início de 2026 atingiu 2,01 milhões de dólares, reflectindo sobretudo os juros obtidos enquanto os recursos permaneciam aplicados em depósitos overnight.

Já a carteira de títulos apresentou um desempenho negativo no período. Os títulos registaram uma perda não realizada de aproximadamente 50.939 dólares, equivalente a um retorno de -0,04%. Segundo o relatório, o resultado foi influenciado pela subida das yields dos títulos soberanos, particularmente na carteira denominada em dólares.

Apesar desse resultado, o relatório indica que os principais parâmetros de risco permaneceram dentro dos limites definidos pela Política de Investimento. A carteira em dólares apresentava uma qualidade de crédito média de AA+, enquanto a carteira em euros registava igualmente rating médio AA+.

EUA concentram quase 90% da carteira

A exposição geográfica do Fundo permanecia fortemente concentrada nos Estados Unidos, que representavam 89,63% da carteira, correspondentes a cerca de 82,61 milhões de dólares. A componente europeia estava distribuída por Alemanha, Finlândia, Áustria, França e Holanda.

O relatório explica que esta concentração resulta, em grande medida, do estágio de implementação da carteira em euros e não representa, por si só, um nível de concentração considerado incompatível com o perfil de risco definido para o FSM.

O documento assinala ainda que o Fundo cumpriu os limites de alocação por moeda: 69,99% em dólares, dentro da faixa permitida de 65% a 75%, e 30,01% em euros, dentro do intervalo de 25% a 35%.

Criado pela Lei n.º 1/2024, de 9 de Janeiro, o Fundo Soberano tem como objectivos apoiar o desenvolvimento económico e social, acumular poupanças para as futuras gerações através das receitas do petróleo e gás natural e contribuir para a estabilização do Orçamento do Estado em períodos de volatilidade das receitas petrolíferas.

Fonte: Relatório Trimestral de Investimento do Fundo Soberano de Moçambique, II Trimestre de 2026.

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