A empresária Elisa Siúta, esposa do antigo director-geral do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), Joaquim Siúta, surge implicada na gestão de valores que o Ministério Público considera provenientes de um alegado esquema de desvio de fundos da instituição.
A revelação é da TV Sucesso, que, numa investigação sobre o caso, recupera contratos, auditorias, movimentos financeiros e comunicações entre os arguidos para reconstruir o percurso de parte dos valores sob investigação.
Segundo a acusação citada pela estação televisiva, Joaquim Siúta terá usado a esposa como uma das pessoas encarregues de receber e administrar dinheiro alegadamente proveniente de pagamentos efectuados pelo INSS à empresa RAM Multimédia, uma das entidades envolvidas no processo.
O caso ganhou particular dimensão depois da detenção de Joaquim Siúta, em 6 de Abril de 2026. O Ministério Público acusa-o, juntamente com outros seis arguidos, de envolvimento num esquema que poderá ter causado prejuízos de cerca de 510 milhões de meticais ao INSS.
Pagamentos muito acima dos contratos
A investigação da TV Sucesso aponta para contratos celebrados entre o INSS e a RAM Multimédia em 2022 e 2023. Uma auditoria interna realizada em 2025 terá identificado pagamentos muito superiores aos valores contratualmente previstos.
Segundo a acusação, foram pagos à empresa mais de 236 milhões de meticais, apesar de os contratos estabelecerem valores significativamente inferiores. O Ministério Público considera que os pagamentos configuram infracções financeiras relacionadas com pagamentos indevidos.
A acusação descreve ainda um alegado sistema de cotações e facturação previamente organizado, seguido da distribuição dos valores recebidos entre diferentes intervenientes.
Elisa aparece como receptora dos valores
É neste ponto que, segundo a TV Sucesso, Elisa Siúta ganha relevância no processo. A acusação sustenta que a empresária teria recebido valores em numerário e participado na sua administração, seguindo instruções do marido.
Entre os montantes mencionados estão 1 milhão de meticais, recebido em Maio de 2023, e 1,73 milhão de meticais, recebido posteriormente. A investigação cita ainda mensagens trocadas entre o casal e outros envolvidos, nas quais seriam confirmadas entregas e distribuição de dinheiro.
Numa das situações descritas, Elisa teria enviado ao marido uma fotografia de maços de notas de mil meticais, acompanhada de uma mensagem informando que o dinheiro havia sido entregue.
A acusação sustenta que parte dos valores alegadamente desviados terá sido movimentada através de contas de familiares e pessoas próximas de Joaquim Siúta, incluindo a esposa e filhas.
Um caso que remonta a anos
A investigação da TV Sucesso enquadra o processo numa história mais longa de suspeitas de irregularidades no INSS. A estação recorda o caso envolvendo a então ministra do Trabalho, Helena Taipo, relacionado com alegados desvios superiores a 100 milhões de meticais do fundo de pensões da instituição.
Em 2024, a própria TV Sucesso denunciou outro alegado esquema de pagamentos fraudulentos no INSS, estimado em cerca de 400 milhões de meticais, posteriormente confirmado pelo director-geral da instituição.
Agora, o processo envolvendo Joaquim Siúta coloca novamente o INSS no centro de uma investigação de grande dimensão financeira, com sete arguidos e milhões de meticais sob escrutínio judicial.
As alegações descritas na investigação permanecem sujeitas à apreciação da Justiça e à prova produzida no processo. Redacção.

