TotalEnergies prepara regresso ao terreno em Cabo Delgado após quatro anos de paralisação

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A gigante francesa TotalEnergies e os seus parceiros internacionais estão prestes a retomar as obras do megaprojecto de gás natural liquefeito (GNL) em Afungi, província de Cabo Delgado, após quatro anos de suspensão devido à insegurança na região. O investimento, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, é o maior da história de Moçambique e um dos mais ambiciosos do continente africano.

Segundo revelou a agência Reuters, a empresa já notificou o Governo de Moçambique sobre o levantamento da declaração de força maior, condição que desde 2021 impedia o avanço das actividades de construção. A decisão abre caminho para o regresso gradual das equipas ao terreno, embora a retoma dependa ainda da aprovação oficial do Conselho de Ministros a um aditamento ao plano de desenvolvimento, bem como da actualização do orçamento e do cronograma.

“Antes de relançar plenamente o projecto, é necessária a aprovação governamental do aditamento ao plano de desenvolvimento”, indicou o gabinete de imprensa da TotalEnergies.

Suspensão forçada e custos acrescidos

O projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, foi interrompido em abril de 2021, na sequência de ataques armados em Palma, a poucos quilómetros do local das obras. Os incidentes, atribuídos a grupos insurgentes ligados ao Estado Islâmico, forçaram a empresa a evacuar funcionários e a suspender todos os trabalhos, invocando motivos de segurança.

A paralisação prolongada fez com que o objectivo inicial de iniciar a produção de GNL em 2024 fosse sucessivamente adiado — primeiro para 2027, e mais recentemente para 2029. Além disso, a inactividade e a inflação global elevaram os custos do empreendimento em cerca de quatro mil milhões de dólares, de acordo com estimativas da Bharat Petroleum, parceira minoritária no consórcio.

Sinais de estabilidade e retoma gradual

Nos últimos meses, tanto o governo moçambicano como a TotalEnergies têm manifestado optimismo quanto às condições de segurança em Cabo Delgado, onde forças nacionais e estrangeiras continuam a combater grupos armados. A petrolífera tem reiterado que a decisão de regressar seria tomada apenas após garantias concretas de estabilidade e de segurança para trabalhadores e comunidades locais.

O levantamento da força maior representa, assim, um passo decisivo rumo à reactivação do projecto, que tem potencial para transformar Moçambique num dos principais exportadores de gás natural do mundo.

Apesar do avanço, fontes ligadas ao consórcio advertem que a retomada plena das obras ainda dependerá de decisões políticas e logísticas complexas, incluindo a mobilização de pessoal técnico, a recontratação de fornecedores e a revisão das metas de produção.

Com uma capacidade prevista de 13,1 milhões de toneladas de GNL por ano, o projecto Mozambique LNG é visto como um motor crucial para a economia nacional, com promessas de receitas fiscais, empregos e investimentos em infra-estruturas sociais.

A eventual retoma das obras marca também o regresso da confiança dos investidores internacionais num contexto regional que continua a exigir vigilância e estabilidade duradoura.

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