O poeta e curador Amosse Mucavele, Director-executivo do Mercado das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique (MICMZ), representa o país na maior edição do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR), que arrancou esta quarta-feira e decorre até 7 de Dezembro, em Fortaleza. O encontro, promovido pelo Ministério da Cultura do Brasil, junta centenas de empreendedores, criadores e gestores culturais, tendo a Ibero-América como convidada de honra.
Com programação inteiramente gratuita, o MICBR ocupa diversos espaços culturais da cidade com rodadas de negócios, palestras, oficinas, showcases, espectáculos e feiras criativas. Esta edição reúne mais de 150 delegados internacionais e 350 empreendedores brasileiros, seleccionados entre 1.540 candidatos, representando 15 sectores da economia criativa, entre os quais artes visuais, audiovisual, dança, moda, editorial, gastronomia, música, jogos electrónicos e teatro.
A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, sublinha que o encontro reforça o papel económico da cultura. “A cultura não só alimenta a alma e o pensamento crítico, como gera emprego, renda e é essencial para o desenvolvimento. É urgente incorporar a dimensão económica da cultura como eixo transversal das políticas públicas”, declarou, destacando o MICBR como “um mega encontro de negócios da cultura e um pilar central da política cultural brasileira”.
Durante o evento, Mucavele apresenta a visão e as metas do MICMZ, iniciativa moçambicana que será realizada em 2025 e que pretende fortalecer o ecossistema criativo nacional. Em paralelo ao MICBR, arrancam no dia 4, em Maputo, várias actividades de divulgação do MICMZ, com participação de artistas brasileiros, em parceria com a Flotar-Harmonian.
Para o diretor-executivo do MICMZ, a presença de Moçambique neste encontro representa “um passo fundamental para posicionar o país no mapa global das indústrias culturais e criativas”.
“O MICBR oferece uma oportunidade ímpar de ampliar a nossa rede de contactos, criar novas parcerias e abrir portas para coproduções internacionais. Moçambique tem talento e histórias para contar ao mundo. Precisamos de fortalecer os caminhos de circulação e comercialização da nossa produção cultural”, afirmou.
O responsável explica que o MICMZ tem como objectivo internacionalizar bens e serviços culturais moçambicanos, incentivar o associativismo, fortalecer cadeias de valor e criar uma plataforma estável de oportunidades comerciais para artistas e empreendedores. “Queremos reforçar que a cultura também é economia. É emprego, é inovação, é futuro. Moçambique precisa de estar presente nas grandes mesas da criatividade global, e o MICBR é uma delas”, acrescentou.
Além das actividades de negócios, Mucavele participa, no dia 4 de dezembro, no painel “Territórios criativos que leem: sustentabilidade e redes de eventos literários”, ao lado da curadora mexicana Chantal Garduño, do editor brasileiro Talles Azigon e de Fabiano Piúba (SEFLI/MinC), com moderação de Jefferson Assunção, director de Livro e Leitura do Brasil.
A forte presença de delegações ibero-americanas marca esta edição do MICBR, no âmbito do Programa Ibero-americano de Indústrias Criativas (PIICC), coordenado pela Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI). Para Mucavele, este é um momento decisivo para “estreitar laços culturais e ampliar o diálogo com mercados que partilham valores e desafios semelhantes”.
Ao longo do evento, serão apresentadas as principais estratégias do MICMZ, que incluem a promoção da circulação de bens culturais, a internacionalização da produção nacional, o fortalecimento das cadeias de valor e o apoio à profissionalização dos agentes culturais. O MICMZ posiciona-se como uma plataforma estratégica para transformar as indústrias culturais moçambicanas em motor de desenvolvimento sustentável, geração de emprego e projeção internacional da cultura do país.

