Uma estudante perdeu a vida após ser atingida por uma bala perdida durante uma operação do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) contra uma rede criminosa ligada a raptos na cidade de Maputo. O incidente ocorreu a 12 de Fevereiro, no bairro Zona Verde, no momento em que as autoridades frustravam uma tentativa de sequestro do proprietário da ferragem Choupal.
Segundo informações oficiais, equipas do SERNIC e da Polícia da República de Moçambique (PRM) encontravam-se posicionadas nas imediações após trabalho prévio de investigação. Quando os supostos raptores iniciaram a acção, abriram fogo contra os agentes, que responderam aos disparos. No confronto, dois suspeitos foram abatidos e outros colocaram-se em fuga, alegadamente para a África do Sul.
No decurso das diligências, as autoridades detiveram Armando Virgílio Timba, conhecido por “Small Boy”, apontado como figura central da estrutura criminosa. O suspeito foi capturado na madrugada de 13 de Fevereiro, numa unidade hospitalar de Maputo, onde recebia tratamento médico. Também foi detido Milton Mario Moyano, vulgo “Baclito”, referenciado pelas autoridades por envolvimento em crimes graves, incluindo um assalto armado a uma viatura de transporte de valores em 2024.
De acordo com o SERNIC, o grupo actuava sob orientação de uma rede inicialmente estruturada por Nini Satar, mesmo durante o período em que este cumpria pena. Após a sua morte, o alegado comando operacional terá passado para Edson Vombi, conhecido por “Dudu”, que continua a ser alvo de investigação.
A polícia sustenta que a intervenção foi conduzida dentro dos protocolos legais e que a reacção armada ocorreu em legítima defesa, na sequência de disparos efectuados pelos raptores. Contudo, admite que tiros perdidos acabaram por atingir mortalmente a estudante, reacendendo preocupações sobre o impacto de confrontos armados em zonas urbanas densamente povoadas.
O caso volta a expor a complexidade do combate às redes de raptos que, nos últimos anos, têm mantido Maputo e Matola sob tensão permanente. As autoridades garantem que as investigações prosseguem para neutralizar os restantes membros do grupo e apelam à colaboração da população na denúncia de actividades suspeitas. Redacção

