A Igreja Católica em África voltou a reafirmar a sua posição contra a poligamia, considerando que a prática não está alinhada com os princípios do matrimónio cristão. A orientação consta de um relatório divulgado esta terça-feira pela Secretaria Geral do Sínodo, com base nas contribuições do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM).
O documento reconhece que a poligamia continua profundamente enraizada em várias culturas africanas, onde a família alargada é valorizada e os filhos são vistos como uma bênção. Em muitos contextos, trata-se de uma prática associada à identidade cultural e à organização social das comunidades.
Ainda assim, a Igreja sublinha que, à luz do Evangelho e dos ensinamentos de Jesus Cristo, o matrimónio deve assentar na monogamia — isto é, na união entre um homem e uma mulher, baseada na fidelidade e no compromisso mútuo.
Apesar da posição firme, o relatório recomenda uma abordagem pastoral sensível e inclusiva. A Igreja orienta que pessoas em situação de poligamia sejam acompanhadas com respeito e dignidade, sendo encorajadas a optar pela monogamia como passo necessário antes de acederem ao baptismo.
A posição volta a colocar em evidência o desafio permanente entre tradição cultural e doutrina religiosa, num continente onde fé e costumes nem sempre caminham lado a lado. Redacção

