A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) defendeu, esta segunda-feira (29), a necessidade de Moçambique acelerar reformas económicas capazes de gerar emprego, fortalecer a resiliência da economia e reduzir a dependência da ajuda externa, durante uma aula aberta dedicada ao tema “Financiamento ao Desenvolvimento e Reformas Económicas em Moçambique: Experiências Internacionais e Reflexões para Moçambique”.
O encontro, realizado na Sala dos Grandes Actos da instituição, reuniu membros do Governo, académicos, economistas, investigadores, estudantes e outros interessados para discutir caminhos que permitam ao país financiar o seu próprio desenvolvimento, tomando como referência experiências internacionais.
Na aula, a economista do Banco Mundial, Clara de Sousa, defendeu que a cooperação internacional deve ser encarada como um instrumento para fortalecer a capacidade interna do país e não como um mecanismo de dependência permanente.
“Os parceiros são importantes e úteis, no entanto, temos de educar as nossas mentes para pensar numa outra estratégia”, afirmou.
Segundo a economista, Moçambique precisa de criar condições para dinamizar a economia, promover a criação de empregos e aumentar a capacidade de resistência a choques económicos, construindo uma base sólida para um crescimento sustentável.
Ao abordar as potencialidades nacionais, Clara de Sousa destacou que a abundância de recursos naturais não garante, por si só, o desenvolvimento económico.
“O verdadeiro desafio não é a falta de recursos, mas a capacidade de transformá-los em desenvolvimento”, sublinhou.
Na mesma ocasião, o reitor da UP-Maputo, Professor Jorge Ferrão, considerou que o futuro económico do país dependerá da qualidade do seu capital humano e das instituições.
Para o académico, a construção de uma economia forte exige cidadãos comprometidos com a integridade nacional, capazes de inovar e de liderar processos de transformação.
“O valor de uma nação não reside nos recursos naturais, mas sim no capital humano e institucional”, afirmou Jorge Ferrão, defendendo que esse constitui um dos principais desafios para a consolidação da autonomia estratégica e económica de Moçambique.
A aula aberta insere-se nas iniciativas da UP-Maputo para fomentar o debate académico sobre políticas públicas e desenvolvimento, aproximando a comunidade universitária das principais discussões económicas que marcam o presente e o futuro do país. Redacção

