O Grupo Banco Africano de Desenvolvimento anunciou uma contribuição de 80 milhões de dólares para financiar o segundo Recenseamento Geral da População e da Habitação (RGPH2) da República Democrática do Congo, segundo um comunicado da APO recebido na nossa redação.
O anúncio foi feito a 23 de março de 2026, em Kinshasa, durante uma mesa redonda que reuniu parceiros técnicos e financeiros. De acordo com o comunicado da APO, o montante integra um pacote global de compromissos estimado em cerca de 200 milhões de dólares para viabilizar o processo.
Do total disponibilizado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, 50 milhões de dólares serão destinados diretamente às operações de recenseamento, enquanto os restantes 30 milhões vão reforçar a capacidade institucional de entidades nacionais, com destaque para o Instituto Nacional de Estatística (INS) e estruturas ligadas à cadeia de planeamento, programação, orçamentação e monitoria.
Segundo o comunicado da APO, o objetivo do financiamento é não apenas assegurar a realização do recenseamento, mas também consolidar, de forma sustentável, o sistema estatístico nacional da RDC.
Outros parceiros internacionais, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Sistema das Nações Unidas, também anunciaram contribuições. Já a Costa do Marfim comprometeu-se a apoiar com equipamentos de recolha de dados e partilha de experiência, enquanto o Governo congolês mobilizou 30 milhões de dólares a partir do seu orçamento.
Citado no comunicado da APO, o Presidente da República Democrática do Congo, Félix-Antoine Tshisekedi Tshilombo, classificou o recenseamento como um momento decisivo para o país.
“Este evento marca um momento de verdade para o nosso país, em que a nação decide conhecer-se melhor para se governar melhor”, afirmou.
O chefe de Estado alertou ainda que governar sem dados atualizados equivale a agir “sem visibilidade”, fragilizando a capacidade de resposta do Estado às necessidades da população. Para Tshisekedi, o recenseamento é “um acto de soberania” e uma ferramenta essencial para a justiça pública e eficácia governativa.
De acordo com o comunicado da APO, o último recenseamento realizado na RDC data de 1984. Desde então, o país passou por profundas transformações demográficas, sendo atualmente estimada uma população superior a 112,8 milhões de habitantes.
Também citado no documento, Mohamed Coulibaly, responsável do Banco Africano de Desenvolvimento para a RDC, considerou o momento “histórico”, destacando a importância do reforço institucional para garantir um processo “eficaz, transparente e sustentável”.
O recenseamento surge como um passo crítico para melhorar o planeamento e a definição de políticas públicas num dos países mais populosos de África, onde a ausência de dados atualizados tem sido apontada como um dos entraves à governação eficaz. Redacção

