BAD lança plataforma para financiar aviação africana

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O Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) apresentou uma nova plataforma continental de financiamento destinada a impulsionar o setor da aviação em África, numa altura em que o continente se prepara para registar o crescimento mais acelerado do mercado aéreo a nível mundial.

A iniciativa foi apresentada durante o Fórum de Companhias Aéreas, Capital e Conectividade, realizado nos dias 25 e 26 de fevereiro, em Nairobi, no Quénia, numa parceria entre o BAD e a Associação Africana de Companhias Aéreas (AFRAA).

O banco está a promover o Programa Integrado de Transformação da Aviação (IATP, na sigla em inglês), concebido como uma plataforma para alinhar reformas políticas, instrumentos financeiros inovadores e execução de projetos num único quadro financiável. O objetivo é mobilizar capital privado, institucional e concessional em larga escala, reduzir o risco dos investimentos prioritários e restaurar a confiança dos financiadores no setor.

Crescimento forte, lucros fracos

Apesar das projeções otimistas, a aviação africana continua a enfrentar entraves estruturais, incluindo elevados custos de capital, regimes regulatórios fragmentados, lacunas de infraestrutura e acesso limitado a financiamento de longo prazo.

Durante a abertura do fórum, o diretor de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do BAD, Mike Salawou, reconheceu que a procura por transporte aéreo no continente é uma das mais robustas do mundo, mas sublinhou que a capacidade do lado da oferta e o investimento disponível não têm acompanhado esse ritmo.

Do lado da indústria, o secretário-geral da AFRAA, Abderahmane Berthé, destacou o desequilíbrio estrutural do setor. Segundo afirmou, África representa cerca de 18% da população mundial, mas responde por menos de 3% do tráfego aéreo global, um reflexo de barreiras regulatórias e estruturais e não de falta de procura.

Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) indicam que as companhias aéreas africanas deverão registar margens líquidas entre 1% e 2% em 2026, abaixo da média global estimada em 3,9%. Entre os fatores que comprimem a rentabilidade estão os elevados custos de combustível, a carga fiscal, a liberalização incompleta do mercado e as limitações infraestruturais dos principais hubs.

Conectividade ainda é gargalo

A fraca conectividade intra-africana foi apontada como um dos principais estrangulamentos. Atualmente, apenas cerca de um quarto do tráfego aéreo africano ocorre dentro do próprio continente, obrigando muitos passageiros a fazer escalas fora de África.

Os participantes defenderam a plena implementação do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo, promovido pela União Africana, como condição essencial para desbloquear uma conectividade mais eficiente e competitiva. O tema será, inclusive, uma das prioridades da organização continental em 2027.

Execução é a palavra-chave

Ao longo de dois dias, ministros dos Transportes, reguladores, executivos de companhias aéreas, investidores, fabricantes e parceiros de desenvolvimento debateram soluções práticas para melhorar a rentabilidade das transportadoras, expandir a aviação alinhada com metas climáticas, desenvolver a carga e logística e reforçar competências técnicas.

Experiências da Nigéria, Quénia e Etiópia foram apresentadas como exemplos de como objetivos continentais podem ser traduzidos em reformas nacionais coordenadas e oportunidades de investimento de curto prazo.

O fórum terminou com uma mensagem convergente: a procura por transporte aéreo em África é real e deverá acelerar nas próximas décadas, impulsionada pela urbanização, crescimento da classe média e perfil demográfico jovem. O desafio, segundo os participantes, é transformar essa procura em conectividade sustentável, competitividade e viabilidade financeira.

Para o BAD, a prioridade passa agora por alinhar políticas públicas, capital e infraestruturas, de forma a posicionar a aviação como motor duradouro de integração regional e crescimento inclusivo no continente. Redacção

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