Corredor da Beira recebe $160 milhões e entra em nova fase de expansão logística

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O Governo de Moçambique acaba de dar um passo decisivo para reposicionar o Corredor da Beira como uma das principais artérias económicas da África Austral. Foi assinado, esta terça-feira (22), um memorando de entendimento com as empresas chinesas Zhongmei Engineering Group e Union Portlink Capital, garantindo financiamento para dois projectos considerados críticos: a construção da nova estrada de acesso ao Porto da Beira e o desenvolvimento do Terminal Logístico de Dondo.

O pacote financeiro, estimado em cerca de 160 milhões de dólares, será implementado no modelo de Parceria Público-Privada e promete não apenas aliviar os actuais estrangulamentos logísticos, mas também gerar empregos e dinamizar a economia nacional.

Segundo o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, os investimentos respondem a uma necessidade urgente de requalificar infraestruturas que hoje limitam o desempenho do corredor.

“O Corredor da Beira é uma prioridade estratégica. Não só para Moçambique, mas também para países como Zimbábue, Zâmbia e Malawi, que dependem directamente do Porto da Beira para as suas exportações e importações”, afirmou.

Caos logístico pressiona mudanças

A intervenção surge num contexto de forte pressão sobre as infraestruturas existentes. O próprio Governo reconhece que o desempenho da Estrada Nacional Número 6 (N6), principal eixo entre a fronteira de Machipanda e o porto, é actualmente “péssimo”, marcado por longas filas e tempos de espera que chegam a ultrapassar dois meses.

No terminal de cargas, os atrasos podem ultrapassar 60 dias, enquanto no terminal de combustíveis atingem cerca de 90 dias — números que penalizam severamente a competitividade do corredor.

A nova estrada de acesso ao porto surge, assim, como uma solução estrutural. Ao desviar o tráfego pesado da cidade da Beira, a infra-estrutura deverá descongestionar a malha urbana e melhorar a circulação interna, libertando a actual via para uso predominantemente urbano.

Outro eixo central do investimento é o Terminal Logístico de Dondo, que será reforçado com novas ligações rodoviárias e um viaduto sobre a N6, permitindo o fluxo contínuo de mercadorias sem interferir no tráfego normal.

A aposta visa transformar Dondo num verdadeiro “hub” logístico, reduzindo tempos de trânsito e aumentando a eficiência no escoamento de carga.

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Expansão do porto e combustíveis na agenda

Paralelamente, o Governo prepara uma segunda fase de intervenção dentro do Porto da Beira, sob liderança da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, com foco na ampliação da capacidade do terminal de combustíveis.

Está igualmente em curso um plano para duplicar a capacidade do pipeline que liga Moçambique ao Zimbábue, numa iniciativa conduzida em coordenação com a Companhia do Pipeline Moçambique-Zimbábue.

Durante uma recente visita à China, a delegação moçambicana observou exemplos de gestão portuária altamente eficientes, incluindo um canal com apenas seis metros de profundidade capaz de movimentar mais de 20 milhões de toneladas por ano.

A comparação reforça a ambição do Executivo: transformar o Porto da Beira num corredor competitivo, capaz de responder à crescente procura regional e reduzir drasticamente os actuais tempos de espera.

“As limitações que temos não são apenas físicas, mas também de eficiência operacional. É isso que queremos mudar”, sublinhou Matlombe.

Com financiamento assegurado e planos definidos, o desafio passa agora da promessa à execução. O sucesso destes projectos poderá redefinir o papel do Corredor da Beira na economia regional — ou, caso falhe, aprofundar os constrangimentos que há anos travam o seu potencial. Redacção

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