Moçambique deverá reabilitar e construir mais de três mil quilómetros de estradas nos próximos cinco anos, no âmbito do Programa Acelerado de Reabilitação e Construção de Estradas Nacionais 2026–2031, denominado “Mais Estradas – 2031”, apresentado esta segunda-feira na cidade da Beira.
O programa foi discutido durante uma reunião técnica orientada pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, e prevê um investimento estimado em 2,6 mil milhões de dólares norte-americanos, com intervenções distribuídas por todas as províncias do país.
Dados apresentados no encontro indicam que Moçambique possui uma rede viária classificada de cerca de 31 mil quilómetros, dos quais 22.349 quilómetros — correspondentes a 72,5% — não são revestidos. Esta situação tem impacto directo na mobilidade das populações, no escoamento da produção agrícola e na integração territorial.
Segundo o governante, a selecção das vias a intervencionar resulta de uma análise que combina impacto social e retorno económico, com o objectivo de assegurar uma distribuição equilibrada dos investimentos. Para o efeito, foram definidos critérios como impacto social e populacional, redução da pobreza, resiliência climática, relevância económica, estado técnico e importância estratégica.
O plano prevê intervenções de dimensão variável em todas as regiões do país. Entre as províncias com maior extensão de obras previstas estão o Niassa, com 478 quilómetros, a Zambézia (325 km), Nampula (306 km) e Gaza, com mais de 300 quilómetros. Seguem-se Tete (294 km), Inhambane (284 km), Manica (204 km), Cabo Delgado (167 km), Sofala (130 km) e Maputo, com mais de 122 quilómetros.
Durante a reunião, que contou com a participação de governadores provinciais, empreiteiros e representantes do sector empresarial, foram também debatidas as expectativas em torno da implementação do programa, considerado estratégico para a dinamização económica.
O ministro afirmou que, com a execução do “Mais Estradas – 2031”, a percentagem de estradas revestidas deverá aumentar de 22,5% para cerca de 37,8%, o que representará, segundo o Governo, um avanço significativo na qualidade da rede rodoviária e no desenvolvimento de corredores logísticos.
O executivo defende que a iniciativa poderá contribuir para melhorar a transitabilidade em todo o território nacional e reforçar a coesão territorial, num contexto em que persistem desafios estruturais no sector das infra-estruturas rodoviárias. Redacção

