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BAD liberta 10 milhões USD para impulsionar Megaprojeto de Hidrogénio Verde na Namíbia

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Num momento em que várias economias africanas enfrentam cortes no financiamento internacional e retração de doadores tradicionais, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um empréstimo de 10 milhões de dólares para impulsionar um dos maiores projetos de hidrogénio verde do continente, localizado na Namíbia.
O investimento, atribuído à Hyphen Hydrogen Energy, visa acelerar um megaprojeto de amoníaco verde avaliado em mais de 10 mil milhões de dólares, capaz de posicionar o país como líder global no setor.

Os fundos — provenientes do Fundo de Energia Sustentável para África (SEFA) — serão aplicados nos estudos de engenharia da primeira fase, incluindo geração solar e eólica, armazenamento em baterias, infraestrutura de dessalinização e capacidade de eletrolisadores. Segundo o BAD, esta etapa é crucial para reduzir riscos técnicos e atrair o financiamento internacional necessário para levar o projeto à fase de execução.

O SEFA, que funciona como fundo especial de doadores multilaterais, financia iniciativas capazes de desbloquear investimentos privados em energia renovável. O mecanismo combina assistência técnica e instrumentos concessionais para tornar projetos de grande escala mais competitivos e seguros.

A primeira fase do projeto prevê 3,75 GW de energia renovável, 1,5 GW de eletrolisadores e novas infraestruturas logísticas e hídricas. Uma vez operacional, a unidade deverá produzir 2 milhões de toneladas de amoníaco verde por ano, destinadas sobretudo à exportação para mercados estratégicos. O empreendimento integra ainda um plano socioeconómico alinhado ao contrato de concessão de 40 anos.

O impacto ambiental também é substancial: estima-se que o projeto evitará a emissão de 5 milhões de toneladas de CO₂ por ano, o equivalente a retirar mais de um milhão de carros das estradas. A infraestrutura de dessalinização fornecerá ainda 3 milhões de litros de água potável por dia à região de Lüderitz, marcada por escassez hídrica crónica.

A representante do BAD na Namíbia, Moono Mupotola, sublinhou que o projeto vai além da transição energética:

“Trata-se de demonstrar a capacidade da África de liderar a economia verde, criar empregos de qualidade e construir prosperidade protegendo o planeta.”

Já o CEO da Hyphen Hydrogen Energy, Marco Raffinetti, considerou a aprovação do empréstimo um “voto de confiança” nas ambições energéticas da Namíbia. O financiamento permitirá concluir a fase de engenharia até à decisão final de investimento.

De acordo com o BAD, o caráter catalisador do SEFA poderá destravar milhares de milhões de dólares adicionais. O projeto deverá criar 15 mil postos de trabalho na construção e 3 mil empregos permanentes, dos quais 90% reservados a namibianos e 20% destinados a jovens, num país onde o desemprego juvenil supera os 38%.

O projeto Hyphen integra a Iniciativa de Desenvolvimento do Corredor Sul, uma prioridade estratégica do governo namibiano. Analistas acreditam que o seu sucesso poderá servir de modelo para outros países africanos com vasto potencial solar e eólico — incluindo Moçambique, Angola e África do Sul — num momento em que o continente procura alternativas sustentáveis ao declínio do financiamento tradicional e às pressões económicas globais.

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